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China protesta por pernicioso impacto de reunião de Obama com dalai lama

Pequim, 19 fev (EFE).- O Governo chinês convocou hoje o embaixador dos Estados Unidos para protestar oficialmente e pedir a Washington ações concretas que reparem o pernicioso impacto da reunião entre o presidente americano, Barack Obama, e o líder tibetano dalai lama, nas relações bilaterais.

EFE |

O vice-ministro de Assuntos Exteriores chinês, Cui Tiankai, apresentou ao embaixador americano na China, Jon Huntsman, o "solene protesto oficial" pelo encontro entre Obama e o dalai lama, realizado ontem "apesar das repetidas advertências contrárias de Pequim", informou a agência oficial "Xinhua".

Segundo um porta-voz da embaixada dos EUA em Pequim, Huntsman disse a Cui que chegou o momento de avançar e cooperar "em maneiras que beneficiem os dois países, a região e o mundo".

Apesar de pertencer ao opositor Partido Republicano, Huntsman foi designado como embaixador americano na China por seus laços com o Oriente - trabalhou em Taiwan, fala mandarim fluentemente e adotou uma menina chinesa.

O porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores chinês, Ma Zhaoxu, já havia afirmado que os EUA "violaram gravemente" os princípios das relações internacionais e agiram contra os comunicados conjuntos nos quais dizem que respeita a soberania da China.

"Os EUA devem deixar de interferir nos assuntos internos da China e adotar medidas concretas para manter o crescimento são e contínuo das relações", destacou Ma em comunicado.

O fato de a reunião de 45 minutos entre Obama e o dalai lama não ter sido no Salão Oval, onde os presidentes recebem os Chefes de Estado, mas na Sala de Mapas e sem câmeras de televisão, não pareceu acalmar Pequim - menos ainda depois que o líder tibetano disse, ao sair da Casa Branca, que se sentia "muito feliz" pelo apoio recebido.

O comunicado do Governo americano no qual Obama apoia a identidade cultural, linguística e religiosa do Tibete e a vigência dos direitos humanos dos tibetanos na China também não ajudou, embora o presidente dos EUA tenha pedido a continuação do diálogo com Pequim.

Também não acalmou os ânimos de Pequim saber que a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que já se tinha reunido em particular com o monge tibetano quando era primeira-dama dos EUA, teve uma nova conversa com ele após a reunião com Obama.

No entanto, fontes ocidentais em Pequim destacaram que a enfurecida reação à visita do líder tibetano a Washington parece destinada ao consumo interno e a aproveitar o trunfo para conseguir uma espécie de "indenização", já que os dois países precisam um do outro.

Com os obstáculos surgidos após a visita de Obama em novembro à China pela venda de armas a Taiwan por US$ 6,4 bilhões, tarifas sobre algumas importações chinesas ou a ameaça em janeiro do Google de deixar o mercado chinês, Ma não perdeu a oportunidade de pedir "medidas imediatas" que atenuem os danos.

A China deseja que os EUA fortaleçam sua economia e, consequentemente, o dólar, para que sua carteira de valores americanos no longo prazo (US$ 755,4 bilhões em bônus do Tesouro) não continue perdendo valor. Por causa desse receio, essa reserva diminuiu em US$ 34,2 bilhões em dezembro.

Horas antes da reunião na Casa Branca e apesar de Pequim ter anunciado o cancelamento de laços militares com os EUA, o porta-aviões americano "Nimitz" atracou em uma visita a Hong Kong.

Toda a imprensa oficial chinesa se juntou hoje à reação do Governo chinês. Segundo a rede de televisão "CFTV", "sob o manto da religião, o dalai lama esteve envolvido em atividades destinadas a dividir a China e minar a estabilidade social no Tibete".

O dalai lama foi designado líder do Estado teocrático do Tibete em 1940. Após o fracasso de sua rebelião armada contra a China, se viu obrigado a fugir para a Índia em 1959, onde estabeleceu o chamado Governo tibetano no exílio.

"Cinquenta anos se passaram e nunca perdemos a esperança", disse o dalai lama ontem ao deixar a Casa Branca.

Após o encontro com Obama, o dalai lama já se reuniu com todos os presidentes americanos desde 1991, mas o único encontro público ocorreu em 2001, com George W. Bush, ao receber a medalha do Congresso americano.

Em um gesto direcionado a Pequim, Obama declinou de receber o líder tibetano antes de se reunir com governantes chineses, o que fez na visita ao país em novembro passado. EFE pc/bba

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