Por Jeff Mason e Claudia Parsons NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - Líderes mundiais tentaram na terça-feira injetar um novo impulso nas negociações climáticas, mas as propostas feitas pela China e a conclamação lançada pelos EUA de pouco serviram para superar o impasse na ONU.

China e EUA, maiores emissores mundiais de gases do efeito estufa, esperavam usar a cúpula de um dia da ONU para alertar que o tempo está se esgotando na busca por um novo acordo climático global, a ser definido numa reunião em dezembro em Copenhague.

Em seu discurso na cúpula, o presidente chinês, Hu Jintao, apresentou um novo plano para conter as emissões chinesas, mas sem cifras específicas. Já seu colega norte-americano, Barack Obama, citou os esforços que seu governo vem fazendo desde a posse, em janeiro, mas não ofereceu novas propostas.

Hu, que ainda na terça-feira teria um encontro reservado com Obama, disse que a China fará fortes investimentos em energias renováveis e nuclear, e prometeu que no futuro as emissões de gases do efeito estufa do país aumentarão num ritmo inferior ao crescimento econômico.

"Vamos nos empenhar para cortar as emissões de dióxido de carbono por unidade do PIB em uma margem notável até 2020, em relação ao nível de 2005", disse Hu, segundo um texto preparado para ser lido no evento.

Essa promessa chinesa, mesmo sem indicar uma limitação absoluta, pode coibir as críticas de políticos norte-americanos que relutam em aceitar um corte expressivo para as emissões dos EUA se não tiverem uma contrapartida de Pequim.

Obama disse que, nos oito meses do seu mandato, os EUA fizeram mais para reduzir suas emissões de carbono do que em qualquer outro momento da história, e pediu a todas as nações que atuem em conjunto.

"A resposta da nossa geração a este desafio será julgada pela história, porque, se fracassarmos em enfrentá-lo --com ousadia, presteza e união--, corremos o risco de consignar às futuras gerações uma catástrofe irreversível", disse Obama. "O tempo que temos para reverter essa maré está se esgotando."

Ativistas e analistas esperavam mais.

"Foi um pouco frustrante que a China não tenha dado um número para a intensidade dos gases do efeito estufa. Eu esperava que isso viesse agora", disse Knut Alfsen, diretor de pesquisas do Centro para o Clima e a Pesquisa Energética Internacionais, de Oslo.

"Mas isso é um progresso. Há cinco anos o clima era uma não-questão para a China. Agora eles deram uma virada e estão dizendo: 'Vamos fazer algo agora'. Essa é uma tremenda guinada."

IMPULSO?

Ambientalistas criticaram Obama pela falta de dados específicos no seu primeiro discurso como presidente na ONU.

"Estamos realmente muitíssimo desapontados com o que Obama disse", afirmou Thomas Henningsen, coordenador climático do Greenpeace. "É realmente mais um passo atrás do que um passo à frente."

Os europeus, que vinham elogiando o compromisso de Obama no combate ao aquecimento global, depois da falta de ação de seu antecessor George W. Bush, começaram a se mostrar impacientes.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, propôs que os chefes de Estado das grandes economias se reúnam em novembro, antes do encontro de Copenhague.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que convocou a reunião, disse que as conversações estão procedendo muito lentamente.

"Deixarmos de fechar um pacto amplo em Copenhague seria moralmente indesculpável, um ato de miopia econômica e inconveniência política", disse Ban.

As conversações que antecedem a conferência de 7 a 18 de dezembro em Copenhague mostraram países desenvolvidos e em desenvolvimento divergindo em relação à distribuição dos limites às emissões. Os países mais pobres estão pressionando os mais ricos para contribuírem com centenas de bilhões de dólares por ano para ajudá-los a fazer frente à elevação das temperaturas.

(Reportagem adicional de Paul Eckert e Alister Doyle)

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