Pequim, 5 jan (EFE).- A China pediu hoje aos Estados Unidos que cancelem seus planos de vender uma nova remessa de armas a Taiwan e de organizar um encontro entre o presidente Barack Obama e o Dalai Lama (líder espiritual tibetano), fatos que devem acontecer neste mês e aumentar a tensão nas relações entre Pequim e Washington.

"A China se opõe à venda de armas dos EUA a Taiwan e enviou um protesto formal para que se reconheça a gravidade desta ação", destacou hoje a porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores, Jiang Yu, em entrevista coletiva.

Jiang recomendou a Washington que "dê marcha à ré no plano e não danifique a cooperação entre Estados Unidos e China", sublinhando que as relações entre as duas potências "devem ser feitas com visão estratégica, a longo prazo e respeitando os assuntos-chave de cada país".

A Administração Obama deve autorizar neste mês a venda de helicópteros Black Hawk e sistemas antimísseis, em valores na casa dos bilhões de dólares, além de um plano de ajuda tecnológica à ilha taiuanesa - separada unilateralmente da China desde 1949 - para desenvolver submarinos militares.

Curiosamente, a relação entre Taiwan e EUA não passa agora por seus melhores momentos, já que hoje mesmo o Legislativo da ilha aprovou a continuidade da proibição da importação de certos produtos bovinos americanos como medida de prevenção do "mal da vaca louca", apesar do Governo de Taipé já ter aprovado o fim dessas limitações.

Com relação ao possível encontro entre o Dalai Lama e Obama (ambos agraciados com o Nobel da Paz, em 1989 e 2009 respectivamente), a porta-voz Jiang reiterou hoje a oposição do regime comunista a que o líder tibetano "se reúna, em qualquer país, com qualquer figura política".

Obama declinou o ano passado reunir-se com o Dalai Lama na viagem deste aos EUA o ano passado, sendo o primeiro líder americano que rejeitava este encontro desde 1991, em um claro gesto para a China.

O presidente americano disse então ao Governo tibetano no exílio que preferia reunir-se primeiro com os líderes comunistas chineses (durante sua visita oficial de novembro passado à China) antes de conceder um encontro com o Dalai Lama, por isso adiou o encontro para o início de 2010. EFE abc/fm

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