China pede cautela com acusações contra líder do Sudão

Por Chris Buckley PEQUIM (Reuters) - As potências mundiais deveriam levar em conta as preocupações dos países árabes e africanos ao avaliar o indiciamento do presidente do Sudão, disse a China na sexta-feira, advertindo que esse processo pode ameaçar os esforços de paz na região.

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Liu Guijin, enviado do governo chinês à devastada região de Darfur, disse que o indiciamento do presidente Omar Hasan Al Bashir por parte do procurador-geral do Tribunal Penal Internacional, Luis Moreno-Ocampo, poderia ameaçar o envio de tropas de paz e o andamento das negociações.

'A ONU está usando diferentes medidas e deveria assegurar suas próprias prioridades, e o uso de uma medida não deveria minar o resto', disse Liu a um pequeno grupo de jornalistas.

'Não enviem sinais errôneos e caóticos.'

Essa foi a primeira reação pública mais elaborada da China depois do pedido de prisão contra Bashir, na segunda-feira, sob a acusação de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Foi também o sinal mais claro até agora de que a China poderia apoiar uma resolução do Conselho de Segurança da ONU para paralisar durante um ano o processo do Tribunal Penal Internacional.

Mas o embaixador chinês na ONU, Gangya Wang, disse que só isso não bastaria. Ele defendeu que os cinco membros do Conselho com direito a veto (China, EUA, Rússia, França e Grã-Bretanha) se reúnam com Moreno-Ocampo para 'lhe advertir sobre as consequências negativas' da eventual ordem de prisão contra Bashir -- uma preocupação que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, já havia manifestado.

O apoio da China ao governo sudanês, baseado em interesses comerciais envolvendo petróleo e armas, deve atrair protestos durante a Olimpíada de agosto em Pequim.

(Reportagem adicional de Louis Charbonneau nas Nações Unidas)

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