China pede ao mundo que respeite soberania de Mianmar

Por Aung Hla Tun YANGON (Reuters) - A China afirmou nesta quarta-feira que o mundo precisa respeitar a soberania da Justiça de Mianmar, cujo regime militar colocou a ativista Aung San Suu Kyi novamente sob prisão domiciliar, atraindo fortes protestos ocidentais, mas apenas uma tímida reação dos seus vizinhos.

Reuters |

A China, um dos poucos países que apoiam a junta militar, pediu ao resto do mundo que não interfira nos assuntos internos da antiga Birmânia. Pequim sinalizou desta forma que não aceitará novas sanções da ONU ao país.

Suu Kyi, de 64 anos, ganhadora do Nobel da Paz, foi sentenciada a três anos de prisão por violar a lei de segurança interna, mas a junta imediatamente reduziu a pena pela metade e permitiu que ela a cumprisse em prisão domiciliar.

O advogado Nyan Win disse na quarta-feira que sua cliente lhe pediu para explorar "todos os caminhos jurídicos" que possam levar à sua libertação.

Nyan Win disse que o recurso vai demorar, e que ele ainda não recebeu uma resposta a um pedido para visitá-la em sua casa, em torno da qual havia segurança reforçada na quarta-feira.

Líderes de diversos governos criticaram o veredicto, e a União Europeia anunciou a preparação de sanções. Governos ocidentais pressionam o Conselho de Segurança da ONU a adotar uma declaração condenando a sentença, mas outros países, inclusive China e Rússia, que têm poder de veto, obstruem.

Jiang Yu, porta-voz da chancelaria chinesa, disse que é hora de dialogar com o regime militar, e não de criticá-lo.

"Isso está de acordo não só com os interesses de Mianmar, mas também é benéfico para a estabilidade regional", disse ela em nota.

"A sociedade internacional deveria respeitar plenamente a soberania judicial de Mianmar", acrescentou.

Analistas dizem que a redução da pena pode ser uma tentativa de agradar amigos e vizinhos do regime -- especialmente China, Índia e Tailândia, importantes parceiros comerciais.

O bloco regional Asean, do qual Mianmar participa, manifestou na quarta-feira "profunda frustração" com a detenção de Suu Kyi. Outros países membros já haviam divulgado declarações semelhantes, sem críticas explícitas ao regime.

A Asean tem uma política de diplomacia discreta e não-interferência nos assuntos internos de seus membros, mas a recusa da junta em melhorar sua situação dos direitos humanos tem sido a principal fonte de tensão entre os dez países integrantes.

Críticos dizem que o julgamento foi uma farsa do regime para manter a carismática ativista afastada das eleições multipartidárias de 2010. Na última eleição, em 1990, a Liga Nacional para a Democracia, partido de Suu Kyi, obteve uma ampla vitória, que no entanto foi ignorada pelos generais.

As acusações dizem respeito a um incidente ocorrido em maio, quando o cidadão norte-americano John Yettaw passou dois dias sem ser convidado dentro do terreno da casa dela, em Yangon. O juiz considerou que isso violava os termos da prisão domiciliar que já estava em vigor, e que o fato contrariava uma já obsoleta lei de segurança.

(Reportagem adicional de Ben Blanchard em Pequim)

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