China negocia com representantes do Dalai Lama

Enviados do líder espiritual tibetano Dalai Lama se encontram a partir desta terça-feira com representantes do governo da China em Pequim para discutir a questão da autonomia do Tibete. O objetivo do diálogo é aliviar as tensões após os violentos protestos contra a dominação chinesa que ocorreram no Tibete e em outras províncias em março.

BBC Brasil |

O governo da China deu poucos detalhes sobre o encontro e não chegou a revelar exatamente o horário, o local ou a agenda das discussões.

Em uma declaração pública, o Dalai Lama pediu aos enviados Lodi Gyari e Kelsang Gyaltsen que atinjam "progresso tangível" nos dias de negociações.

"A vossa santidade, o Dalai Lama, instruiu os enviados para que façam esforços para trazer progresso tangível, para aliviar a difícil situação dos tibetanos na terra deles", dizia a declaração.

Os enviados chegaram à capital chinesa na segunda-feira para participar do encontro que se estenderá até quarta-feira.

A China ainda não expressou formalmente quais são as suas expectativas a respeito do encontro.

Conversas
Autoridades da China e representantes do governo tibetano no exílio conversaram informalmente em maio, no que foi visto como um esforço de tolerância por parte de Pequim para acalmar a tensão causada pelos protestos junto à opinião pública internacional.

Na época, foi estabelecido que as negociações formais seriam retomadas, e a atual rodada já é a continuação oficial de um esforço de entendimento que começou em 2002.

A retomada do diálogo sofreu atraso de várias semanas porque a prioridade do governo era lidar com a situação de emergência causada pelo terremoto que abalou a província de Sichuan em 12 de maio.

Pequim acusa o Dalai Lama de ter interesses secretos separatistas e de ter orquestrados os protestos que resultaram em confrontos violentos em março.

O líder budista nega as alegações e diz que busca apenas lutar por uma maior autonomia para a região.

A Secretária de Estado norte-americana, Condolezza Rice, pediu à China que participe sinceramente do diálogo com o Dalai Lama.

"Nós acreditamos que ele é uma figura positiva para lidar com a difícil questão do Tibete", disse Rice em visita a Pequim.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, que chegou a ameaçar boicotar a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos por causa do Tibete, disse que ele acredita que o diálogo está "progredindo bem".

"Se eles continuarem a progredir e se o Dalai Lama e o presidente da China reconhecerem esse progresso, então todos os obstáculos para a minha participação (na cerimônia) estarão suspensos", afirmou Sarkozy.

Confrontos
A inquietação no Tibete teve início no dia 10 de março, aniversário de um levante histórico dos tibetanos contra a dominação chinesa.

Inicialmente, monges budistas promoveram passeatas pacíficas na capital Lhasa que se tornaram violentas após o dia 14 de março e se espalharam para outras províncias onde há chineses de etnia tibetana.

O governo da China afirma que pelo menos 19 pessoas morreram, mas o governo do Tibete no exílio afirma que a repressão das forças de segurança chinesas resultou em dezenas de mortes. Foram os piores confrontos dos últimos 20 anos.

Na semana passada, as autoridades da China reabriram o Tibete para a entrada de turistas estrangeiros, porém o acesso de jornalistas permanece restrito.

Autoridades dizem que 116 pessoas permanecem detidas por causa dos protestos, porém grupos de direitos humanos como a Anistia Internacional estimam que mil tibetanos sumidos desde os confrontos estejam sob custódia.

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