China nega que esteja negociando cooperação militar com Venezuela

Pequim, 25 set (EFE).- O Governo chinês negou hoje, último dia da visita a Pequim do presidente da Veenzuela, Hugo Chávez, que esteja negociando algum tipo de cooperação militar com o país, como anunciou o líder venezuelano.

EFE |

"Não tenho certeza de que tipo de cooperação (Chávez) mencionou.

Reitero que, durante a visita, não falamos de cooperação militar", assegurou hoje o porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores chinês, Liu Jianchao, ao ser perguntado em entrevista coletiva sobre a venda de aviões para a Venezuela.

Liu, que na quarta-feira esteve presente em vários dos encontros mantidos por Chávez, ressaltou os acordos assinados em matéria econômica, política e cultural, mas insistiu: "Não ouvi que os dois países tenham trocado idéias sobre cooperação militar".

O presidente venezuelano reiterou hoje que negociou e estipulou a compra de aviões de treinamento e reconhecimento da China, depois de ter mencionado a mesma coisa ontem após o encontro com o presidente chinês, Hu Jintao.

"Como se sabe, a Venezuela está comprando aviões K-8 de treinamento da China, que devem começar a chegar em 2009", disse hoje Chávez em entrevista coletiva pronunciada no final de sua visita de três dias, a quinta que realiza ao país asiático.

Fontes venezuelanas consideram certa a aquisição de duas frotas, composta cada uma por 12 aviões de treinamento e reconhecimento.

Chávez, que, após sair da China, vai à Rússia para se reunir com o presidente Dmitri Medvedev, criticou a imprensa por enaltecer a compra de aviões pela Venezuela como uma "ameaça" alinhada com a oposição a Washington.

"A imprensa internacional vem dizendo que 'Chávez anda comprando armas, é uma ameaça para o mundo'. O que estamos comprando é uma modesta quantidade de aviões para treinar nossos pilotos. Quem pode nos criticar por isso?", perguntou o líder venezuelano.

Chávez afirmou ontem que sua frota atual é composta por três aviões Broncos americanos e vários Tucanos brasileiros, que não pode manter nem reparar devido ao bloqueio americano, e disse que sua única alternativa é comprar da China e da Rússia.

Nos últimos anos, a Venezuela se tornou o principal cliente latino-americano da indústria militar russa, com a compra de 24 aviões Sukhoi-30MK2, cuja aquisição Chávez defende em resposta ao que chama de "agressivos planos" dos Estados Unidos.

Chávez, um dos mais ferozes opositores do presidente americano, George W. Bush, apesar de vender a maior parte de seu petróleo para os Estados Unidos, está estabelecendo alianças com "inimigos" dos EUA, como Cuba, Rússia, Irã e China, na criação do que ele denomina um mundo "pluripolar".

No entanto, Pequim se distanciou na terça-feira, após a chegada de Chávez à capital chinesa, de qualquer vínculo ideológico com a Venezuela, e ressaltou, em referência a Washington, que seus laços com Caracas não são dirigidos contra um terceiro país. EFE cg/fh/an

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