As autoridades locais negaram nesta terça-feira que os julgamentos de mais de 200 pessoas por suposta participação nos distúrbios étnicos do mês passado em Xinjiang (noroeste) já começaram, ao mesmo tempo que Rebiya Kadeer, líder da comunidade uigur chinesa no exílio, denunciou que quase 200 prisioneiros foram torturados até a morte.

O jornal China Daily informou na segunda-feira o início dos julgamentos esta semana no tribunal de Urumqi, capital desta região de maioria muçulmana, onde a violência explodiu em 5 de julho.

"No momento, não há nenhuma data prevista para o julgamento", declarou à AFP Li Hua, representante do governo de Xinjiang.

"Não sei como o China Daily obteve a informação, mas não é correta. Quando o julgamento começar, anunciaremos à imprensa", completou.

Pelo menos 197 pessoas morreram durante os disturbios, em sua maioria membros da etnia han, atacados por uigures, a etnia majoritária em Xinjiang, de língua turca e religião muçulmana.

Os hans representam o grupo étnico majoritário na China.

Li também negou que o número de julgados ultrapasse 200, como informou o China Daily, já que o governo local anunciou oficialmente a prisão de 83 pessoas.

Ao mesmo tempo, Rebiya Kadeer voltou a fazer acusações contra Pequim: desta vez a morte de quase 200 prisioneiros.

A ex-empresária de 62 anos está em uma "guerra de palavras" com o governo da China, que a acusa de ter estimulado os distúrbios em Xinjiang, o que Kadeer nega.

A líder uigur, que vive nos Estados Unidos, afirmou ter recebido um fax de um policial uigur que fugiu para o Quirguistão e detalhou a situação na prisão Urumbay, ao sul de Urumqi.

O policial afirma no fax que 196 uigures detidos após uma operação de repressão foram "torturados e assassinados" na prisão, declarou Kadeer.

A líder do Congresso Mundial Uigur disse que é impossível verificar a informação, já que as linhas telefônicas permanecem cortadas.

sct/fp

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.