China nega concessões territoriais ao Tibete

Pequim, 1 fev (EFE).- O Governo chinês assegurou aos enviados pessoais do Dalai Lama que Pequim não fará nenhuma concessão em questões relacionadas à soberania nacional, informou hoje o Partido Comunista da China (PCCh).

EFE |

Um comunicado divulgado pela agência oficial "Xinhua" informa que Du Qinglin, chefe do Departamento da Frente Unida do Comitê Central do PCCh, se reuniu a portas fechadas com os enviados pessoais do Dalai Lama em Pequim, sem indicar a data do encontro.

A delegação tibetana no exílio chegou na semana passada à China para voltar ao diálogo após um intervalo de 15 meses, na nona rodada de negociações entre os tibetanos e as autoridades chinesas desde o início do processo, em 2002.

"As questões relativas ao território da China e sua soberania não são negociáveis e não se farão concessões sobre estes assuntos", assegurou Du na reunião.

Apesar de garantir que "a porta para o diálogo com o Dalai Lama permanece aberta", Du acrescentou que as negociações não avançarão se o líder tibetano "continuar a campanha contra a China e se negar a mostrar um respeito básico e sincero".

"O povo tibetano quer a paz e a estabilidade. Não se pode enganar e atuar contra sua vontade. As atividades de infiltração e provocação estão condenadas ao fracasso. Elas só criam obstáculos para as conversas e isolam o Dalai Lama e seus seguidores", acrescentou.

Viajaram à China os enviados pessoais Lodi Gyari e Kelsang Gyaltsen, acompanhados dos membros do Grupo Tibetano de Trabalho para Negociações Tenzin Atisha e Bhuchung Tsering, e do membro da secretaria do grupo Jigmey Passang.

Até o momento, nenhuma das rodadas de diálogo chinês-tibetanas apresentou avanços significativos na disputa que enfrenta a China com os líderes tibetanos no exílio, abrigados na Índia.

A reunião coincidiu com a substituição de chefes do Executivo e Legislativo da província do Tibete, quase dois anos depois que essa região autônoma chinesa ter sido palco das piores revoltas em 20 anos contra o regime comunista chinês.

Em 14 de março de 2008, 19 pessoas, segundo o Governo chinês, e mais de 200, de acordo com os tibetanos no exílio, morreram em confrontos em Lhasa. Pequim culpou diretamente o Dalai Lama pelos acontecimentos.

As denúncias de repressão policial contra os tibetanos por causa das revoltas causaram uma onda de críticas da comunidade internacional à China. As críticas externas foram feitas inclusive nas convocações de boicote aos Jogos Olímpicos que meses depois ocorreriam em Pequim. EFE mmp/sa

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