China mobiliza tropas de choque para a Olimpíada

PEQUIM - A China colocou uma força policial especial de prontidão para garantir a tranquilidade da Olimpíada deste ano, em um sinal de que a segurança será prioridade nos Jogos depois dos distúrbios de março no Tibete e arredores.

Reuters |

'Sem garantias de segurança não pode haver Jogos Olímpicos bem-sucedidos, e sem garantias de segurança a imagem nacional será perdida', disse o presidente Hu Jintao na edição de terça-feira do Noticiário da Polícia Armada do Povo, órgão oficial da tropa de choque chinesa.

A 'ordem política de mobilização', segundo o jornal, faz com que os membros da Polícia Armada do Povo se preparem para uma árdua temporada de trabalho antes e durante os Jogos.

'Os tambores da guerra estão soando, temos uma batalha decisiva pela frente. Pelo bem da imagem da nação chinesa e pela honra da Polícia Armada do Povo, nunca esqueçamos nosso dever', disse o jornal.

Kevan Gosper, do Comitê Olímpico Internacional (COI), disse que os chineses levam a segurança a sério e que os preparativos estão 'excelentes'.

A repressão de março contra distúrbios no Tibete e em províncias vizinhas provocou protestos mundiais. Várias ONGs prometem manifestações durante os Jogos para chamar a atenção para as questões do Tibete, dos direitos humanos na China e da crise humanitária em Darfur, no Sudão (cujo governo Pequim apóia).

A China diz que já conseguiu evitar atentados planejados por separatistas muçulmanos da etnia uigur na região de Xinjiang (oeste).

O Congresso Mundial Uigur, com sede na Alemanha, está fazendo campanha por um boicote à cerimônia de abertura, para protestar contra a suposta opressão chinesa, segundo Dilxat Raxit, porta-voz da entidade.

'Concordamos que a atenção dada ao Tibete é adequada, mas não esqueçam de nós, uigures, porque do contrário a China pode nos reprimir com mais força', afirmou Raxit por telefone à Reuters.

Os gastos com segurança em grandes eventos esportivos cresceram muito desde os atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA, mas a China diz que, usando pessoal e tecnologia próprios, pode manter a segurança dos Jogos por um valor bem inferior ao 1,8 bilhão de dólares gastos na Olimpíada de Atenas em 2004.

O excesso de segurança na cerimônia de acendimento da tocha olímpica, na segunda-feira, manteve os cidadãos comuns bem afastados da praça Tiananmen e ilustrou o temor do governo de que haja distúrbios durante a Olimpíada, que o regime deseja que seja um símbolo da prosperidade e da confiança da China.

(Reportagem adicional de Chris Buckley)

REUTERS FE

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