China inicia três dias de luto oficial por vítimas de terremoto

Pequim, 19 mai (EFE).- A China iniciou hoje três dias de luto oficial pelas vítimas do terremoto da semana passada em Sichuan, cujo número de mortos já chega a 34.

EFE |

073, em uma decisão sem precedentes na história do país, que reservava este tipo de homenagens apenas para os líderes políticos.

Dentre as mortes, cerca de 33.570 foram registradas em Sichuan, a província mais castigada das sete atingidas pelo tremor de terra e onde outras 5.260 pessoas continuam sob os escombros, segundo dados oficiais.

O terremoto também deixou 245.108 feridos, 233.810 deles em Sichuan, informou o Conselho de Estado chinês.

Segundo a agência oficial "Xinhua", mais de 200 operários que trabalhavam na reparação das vias de comunicação afetadas pelo terremoto foram soterrados por lodo nos últimos três dias, e ainda não se sabe se estão vivos ou mortos.

Às 14h28 no horário local (3h28 em Brasília), exatamente uma semana depois da catástrofe, toda a China parou durante três minutos, o mesmo tempo de duração do tremor de terra em Sichuan, para prestar homenagem às vítimas.

A curta cerimônia foi carregada de simbolismo e emoção, o que deixou claro até que ponto a tragédia marcou o gigante asiático, que nunca tinha vivido três dias de luto oficial em memória de cidadãos comuns em sua história.

Durante os três minutos, toda a sociedade chinesa parou o que estava fazendo e saiu às ruas para fazer silêncio enquanto os apitos dos navios e trens e as buzinas dos automóveis de todo o país soavam em sinal de luto.

As bandeiras de todas as instituições oficiais chinesas, tanto dentro quanto fora do país, ficarão a meio mastro durante os três dias de luto oficial, período em que a tocha olímpica, elevada a categoria de assunto nacional, terá seu percurso interrompido em sinal de respeito e homenagem às vítimas.

Uma semana após o terremoto, o Escritório Sismológico da China (CSB, na sigla em inglês) disse que a intensidade do terremoto alcançou 8 graus na escala Richter, ao invés dos 7,8 graus inicialmente divulgados, o que faz do tremor a maior tragédia natural vivida pelo país nas últimas três décadas.

Com tudo isso, e apesar do tempo já transcorrido, "milagres" ainda continuam acontecendo, e hoje duas mulheres foram resgatadas com vida dos escombros nas localidades de Beichuan e Tianchi, aumentando o número oficial de sobreviventes para 60.020 pessoas.

Outra das notícias positivas do dia foi em relação ao estado dos reservatórios de água da região atingida pelo terremoto, cujo perigo de rompimento ainda existe, segundo fontes oficiais.

"Em termos gerais, todas as represas da região estão relativamente estáveis e seguras, desde que não haja novas réplicas nem haja inundações", afirmou o engenheiro chefe da Comissão Estatal de Regulação Elétrica (Serc, em inglês), Gu Junyuan.

A contagem continua, mas não somente de vítimas humanas, já que, segundo o vice-ministro de Indústria e Tecnologia da Informação da China, Xi Guohua, os prejuízos das empresas do setor industrial de Sichuan superam os US$ 9,606 bilhões.

Xi também explicou que as más condições do tempo estão dificultando a ajuda pelo ar aos afetados pelo terremoto.

O porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores, Qin Gang, adiantou hoje que a China permitirá a participação de equipes médicas estrangeiras nos trabalhos de atendimento às vítimas, que se somarão aos procedentes de Japão, Cingapura, Coréia do Sul e Rússia, que já trabalham desde sexta-feira nas tarefas de resgate dos soterrados.

As equipes de resgate chinesas, nas quais estão incluídos mais de 130 mil efetivos militares e paramilitares, já conseguiram chegar às 3.669 localidades afetadas pelo terremoto.

Enquanto isso, Pequim continua recebendo doações tanto do interior como do exterior, cuja quantidade total alcançou hoje US$ 1,55 bilhão.

Apesar de a tragédia ainda estar mais que presente na vida diária dos cidadãos, a China tenta voltar à normalidade, mesmo com medo de que haja novas réplicas do tremor principal na região de Sichuan, área mais castigada pelo terremoto da semana passada.

Assim, a refinaria PetroChina, a maior do país junto à Sinopec, afirmou hoje que retomará em breve o fornecimento de combustível em vários dos distritos devastados pelo terremoto, onde as comunicações por estrada e a eletricidade estão sendo restabelecidas. EFE ub/wr/gs

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG