China: Inflação despenca e desperta temor de deflação

Números divulgados pelo governo da China nesta quinta-feira revelam que a inflação do país no mês de novembro atingiu o nível mais baixo em quase dois anos, em mais um sinal de que a economia está esfriando. Em novembro, o índice de preços ao consumidor marcou alta de 2,4% em relação ao mesmo período do ano passado.

BBC Brasil |

Este foi o menor aumento desde janeiro de 2007, quando o índice subiu 2,2%.

A queda já vinha sendo notada nos meses anteriores, pois outubro registrou inflação de 4% e setembro de 4,6%, uma retração significativa frente a alta recorde de 8,7% observada em fevereiro.

A baixa nos preços aliviou a pressão sobre os consumidores, mas a retração ocorreu com tamanha rapidez que suscitou medo de deflação ou de que a economia esteja caminhando rumo a uma crise mais profunda.

"Existe um risco real de deflação, mas isso só se materializará eventualmente no ano que vem", disse à BBC Brasil Qian Wang, estrategista do banco JP Morgan em Hong Kong.

Um relatório do banco, divulgado nesta quinta, afirma que "de fato há crescente preocupação entre os políticos na China sobre o risco de deflação para o próximo ano", mas "o índice de preços ao consumidos da China estará em território positivo na média em 1%".

Positivo
As autoridades afirmam que o recuo é positivo, pois dá ao governo maior espaço para tomar medidas de incentivo à economia sem medo de causar um superaquecimento.

No começo do ano o partido comunista afirmou que a prioridade da política econômica da China em 2008 seria frear a alta dos preços ao consumidor para fazer uma "aterrissagem suave" da economia, que então dava sinais de que poderia superaquecer.

No entanto, em meio a um cenário de crise internacional, o resfriamento ocorreu naturalmente e agora, com retração nas exportações e demissões em massa, Pequim busca medidas inversas, que voltem a estimular o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

Na quarta-feira o governo revelou que as exportações em novembro retraíram 2,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Foi a maior queda desde 2001.

O pais anunciou no mês passado um pacote de incentivos no total de US$ 586 bilhões, que inclui investimento em infra-estrutura, redução de impostos, subsídios ao consumo e corte na taxa de juros, para reverter a tendência de desaceleração do PIB.

Estimativas do Banco mundial apontam que ao PIB da China crescerá 7,5% em 2009, uma retração considerável frente aos quase 12% observados em 2007.

Juros
A queda na inflação, entretanto, também está sendo percebida como algo que pode ser positivo, pois dará ao governo espaço para cortar ainda mais os juros.

"Acreditamos que os juros (...) precisam baixar (...) e mantemos nossa previsão de que o Banco Central da China irá cortar a taxa básica (...) até o fim de 2009" afirmou um relatório do banco Goldman Sachs divulgado nesta quinta-feira.

"A moderação no índice de preços ao consumidor dará às autoridades mais espaço para acomodar mudanças no lado monetário através de mais cortes na taxa de juros" concordou o documento do JP Morgan.

Desde setembro Pequim já cortou a taxa de juros quatro vezes. O último dos cortes, em 26 de novembro, foi de 1,08 ponto percentual, o maior registrado nos últimos 11 anos.

A redução dos juros é uma forma de facilitar o crédito, o que estimula a economia e ajuda aos consumidores.

Lideres do governo que participam de uma conferência em Xangai para determinar as diretrizes políticas para o ano que vem emitiram um comunicado afirmando que a prioridade para 2009 será manter crescimento econômico "firme e acelerado", promover a criação de empregos e retomar as exportações.

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