Por Chris Buckley URUMQI, China (Reuters) - A China vai impor um toque de recolher na capital da região muçulmana de Xinjiang nesta terça-feira, após ter tentado coibir protestos com o uso de gás lacrimogêneo dois dias depois que conflitos étnicos deixaram 156 mortos e mais de 1.000 feridos.

O toque de recolher será determinado a partir das 21h (10h de Brasília) de terça-feira até 8h de quarta-feira, disse uma autoridade do Partido Comunista regional em discurso na televisão, segundo a agência de notícias oficial Xinhua.

Centenas de manifestantes da etnia chinesa predominante Han, muitos carregando facões, canos de metal e pedaços de madeira, quebraram lojas de propriedade dos uigures, etnia de maioria muçulmana cujos costumes culturais se assemelham à Ásia Central.

Alguns integrantes dos Han entoavam gritos pedindo "ataque aos uigures", enquanto as duas partes bloqueavam ruas. Muitos ficaram feridos, mas não houve relatos imediatos de mortes. No início da noite, houve um novo conflito.

A polícia usou gás lacrimogêneo para tentar dispersar a multidão, mas inicialmente sem muito sucesso. Alguns manifestantes usaram água para lavar os olhos e partiram na direção dos policiais na principal rua dos uigures.

"Eles nos atacaram. Agora é a nossa vez de atacar", disse à Reuters um homem no meio da multidão. Ele recusou-se a dizer seu nome.

Ao lado do Tibet, Xinjiang é uma das regiões mais sensíveis da China, e em ambos os lugares o governo tenta conter a instabilidade controlando a religião e a vida cultural, ao mesmo tempo em que promete crescimento econômico e prosperidade.

A violência, que tem dado sinais de avanço na região, aparentemente teve pouco impacto nos mercados financeiros da China. As ações caíram por questões técnicas, enquanto o yuan era negociado em alta ante o dólar.

Boa parte dos manifestantes uigures são mulheres, levando consigo documentos de seus maridos, irmãos e filhos que ela afirmaram que foram presos arbitrariamente após os conflitos de domingo na cidade de Urumqi.

"Meu marido foi levado ontem pela polícia. Eles não dizem por que. Eles simplesmente o levaram", disse uma mulher que se identificou à Reuters como Maliya. Segunda ela, seu esposo está entre os 1.434 suspeitos detidos. Entre os 156 mortos, 27 eram mulheres.

(Reportagem adicional de Emma Graham-Harrison, Yu Le e Benjamin Kang Lim em Pequim; e Ben Blanchard em Xangai)

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