Governo obriga TVs a transmitir notícias aprovadas pelo Estado e punirá quem espalhar 'informações prejudiciais' em redes sociais

Assustados por revoltas populares que acontecem em todo o mundo, por uma transição de liderança que se aproxima e pelas provocações vindas de seus próprios cidadãos, os líderes chineses estão impondo novos limites sobre a mídia e a liberdade na internet que incluem algumas das medidas mais restritivas instituídas nos últimos anos.

Mulher acessa a internet em uma lan house, um costume crescente na China
NYT
Mulher acessa a internet em uma lan house, um costume crescente na China

O exemplo mais marcante ocorreu na terça-feira, quando a Administração Estatal de Rádio, Cinema e Televisão ordenou as 34 principais emissoras de televisão regionais a limitar sua programação a não mais de duas atrações de 90 minutos por semana.

Elas também estão sendo obrigadas a transmitir duas horas de notícias aprovadas pelo Estado todas as noites. O ministério disse que as medidas visavam extirpar "o entretenimento excessivo e tendências vulgares".

As restrições acontecem no momento em que os líderes do Partido Comunista sinalizam novas censuras aos microblogs usados na China, uma onda na internet local que cresceu rapidamente e em menos de dois anos se tornou uma importante – e difícil de controlar – fonte de denúncia.

Os microblogueiros, alguns dos quais têm milhões de seguidores, expõem escândalos e má conduta oficial, incluindo uma tentativa de encobertar um acidente ferroviário recente.

Na quarta-feira, o Comitê Central do partido pediu um relatório sobre a sua reunião anual para um "sistema de gestão da internet", que regularia as redes sociais e os sistemas de mensagens instantâneas, além de punir aqueles que espalham "informações prejudiciais".

Analistas e funcionários das empresas privadas que administram os microblogs dizem que os dirigentes do partido estão pressionando por uma censura cada vez mais rígida e rápida de opiniões não aprovadas.

Talvez o mais revelador seja que as autoridades estão discutindo exigir que os microblogueiros registrem contas com seus nomes verdadeiros e números de identificação em vez dos anonimamente, como é feito agora.

Embora os blogueiros mais famosos da China tendam a usar seus próprios nomes, exigir que todos façam isso dificultaria a denúncia online e tornaria as críticas ao funcionalismo – dois serviços públicos que não são facilmente reproduzidos em outros locais – algo consideravelmente mais arriscado.

Seria "definitivamente prejudicial à liberdade de expressão", disse um editor de microblog que recusou se identificar por medo de represálias.

Essa nova abordagem coincide com uma mudança planejada na liderança do partido e no governo, um intrincado processo de negociatas a portas fechadas que vai durar todo o próximo ano.

Song Jianwu, reitor da escola de jornalismo e comunicação da Universidade de Ciência Política e Direito da China, disse que altos dirigentes chineses aceitaram a necessidade de tais veículos para expressão popular. Mas no caso dos microblogs, ele acrescentou: "Eles também estão preocupados que essa válvula de escape possa se transformar em um dispositivo explosivo".

Por Sharon Lafraniere, Michael Wines and Edward Wong

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