China faz apelo global por tendas para os sobreviventes do terremoto

A China fez um apelo global urgente nesta quinta-feira por milhões de tendas para abrigar os sobreviventes do terremoto mais forte registrado no país nos 30 últimos anos, num momento em que o balanço oficial de mortos e de desaparecidos já passa dos 80.000.

AFP |

Dez dias depois do tremor de 7,8 graus na escala Richter, os chineses agora se preocupam principalmente em afastar as doenças de suas cidades, lotadas desde então de sobreviventes e tendas de emergência, enquanto o governo considera a hipótese de fazer a tocha olímpica passar pela área do desastre para levantar o moral dos desabrigados.

A mórbida tarefa de contar os mortos, por outro lado, segue a todo vapor: os últimos números divulgados pelo governo dão conta de 51.151 mortos, quase 10.000 a mais em relação ao dia anterior. O balanço final, no entanto, pode ser ainda bem mais assustador, já que 29.328 pessoas ainda estão desaparecidas.

Outra difícil missão das autoridades é dar abrigo a quem perdeu tudo no terremoto. Nesta quinta-feira, o presidente Hu Jintao apareceu na televisão estatal visitando fábricas de tendas de emergência, enquanto pedia aos trabalhadores que colaborassem com os esforços de ajuda e resgate dos sobreviventes acelerando a produção.

O primeiro-ministro Wen Jiabao, por sua vez, foi pela segunda vez a Mianyang, na província de Sichuan, uma das cidades mais atingidas pelo terremoto.

"O foco dos trabalhos de assistência às vítimas passou do resgate de sobreviventes para a reabilitação dos desabrigados e das sociedades locais", afirmou Wen, citado pela agência oficial Nova China.

Equipes médicas estrangeiras continuam chegado de todos os lugares do mundo para ajudar os que sobreviveram ao tremor em Sichuan, mas o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Qin Gang, afirmou que o país ainda precisa de 3,3 milhões de tendas ou outros abrigos de emergência para essas pessoas.

"Esperamos que a comunidade internacional priorize o fornecimento de tendas em meio à ajuda humanitária oferecida à China", disse Qin em uma entrevista coletiva nesta quinta-feira em Pequim. Apenas 150.000 tendas foram recebidas até agora.

O governo prometeu mais de 13 milhões de dólares em assistência às vítimas e para a reconstrução das cidades atingidas pelo terremoto do dia 12 de maio, que praticamente deixou em ruínas uma área equivalente a três vezes o território da Bélgica.

O ministro chinês da Habitação ordenou que até o dia 10 de agosto sejam construídas um milhão de pequenas casas feitas de aço, madeira compensada e outros materiais que sejam, ao mesmo tempo, seguros, caso haja outros terremotos, e "recicláveis", feitas para durar no mínimo cinco anos.

Neste momento, no entanto, a maioria das 5,2 milhões de pessoas que ficaram desabrigadas após a catástrofe passam seus dias espremidas nas poucas tendas de emergência disponíveis ou em barracas de lona improvisadas, enquanto tentam se recuperar do trauma em meio à cada vez mais presente ameaça de epidemias.

Li Qiang, funcionário da área da saúde de Shifang, outra cidade de Sichuan gravemente atingida pelo sismo, afirmou que os milhões de corpos em decomposição de pessoas e animais são uma das principais preocupações que rondam os campos de desabrigados.

"Nossos serviços de saúde pública já não funcionam mais. Uma grande quantidade de prédios está em ruínas, computadores foram destruídos e não há eletricidade. Nosso sistema de alerta para epidemias está paralisado", disse Li à AFP.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) também aponta a prevenção a doenças como sua principal preocupação, e anunciou que mandaria suprimentos extras de higiene médica e pessoal, o suficiente para ajudar 130.000 pessoas.

"O desafio a longo prazo é pensar na melhor maneira de reconstruir a insfraestrutura de saúde", declarou Eric Laroche, representante da OMS.

O ministro da Saúde chinês informou que milhares de feridos graves começaram a ser enviados em trens e aviões para outras partes da China, com o objetivo de desafogar os superlotados hospitais de Sichuan.

As autoridades de saúde chinesas também começam a mandar para as regiões atingidas a primeira equipe de profissionais especializados no tratamento de deficiências físicas e mutilações, que, segundo estimativas oficiais, devem atingir a maioria das 288.431 pessoas feridas no terremoto.

Numa tentativa de levantar os ânimos em meio a tantos problemas, os organizadores dos Jogos Olímpicos de Pequim anunciaram que a tocha olímpica deve passar por Sichuan entre os dias 3 e 5 de agosto, numa última parada antes da abertura dos Jogos, no dia 8 de agosto.

bur-sct/ap/yw

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG