Praga, 20 mai (EFE).- A China tentou mandar hoje uma mensagem conciliadora à União Europeia (UE), com quem assinou em Praga acordos de cooperação em matérias energética, científica e empresarial, mas alertou o bloco europeu que não se intrometa em seus assuntos internos.

A 11ª Cúpula UE-China aconteceu em Praga depois da fracassada reunião de Lyon em dezembro passado, durante a Presidência francesa do bloco, e que Pequim cancelou em protesto pelo apoio ao dalai lama, líder político e espiritual do Tibete.

"A relação entre UE e China é de confiança e respeito mútuo", assinalou hoje o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, que liderou a delegação do país asiático, e que hoje retorna a Pequim.

Wen defendeu uma "relação estratégica" com a Europa, principal parceiro comercial, mas advertiu que deve se ater ao princípio do "respeito mútuo" e sem interferências "em assuntos internos".

Sobre o assunto, a Presidência tcheca da UE lembrou que os direitos humanos farão parte da agenda comunitária com a China, apesar das reservas de Pequim.

Além de Wen, foram a Praga o chanceler, Yang Jiechi, e os ministros da Reforma e Desenvolvimento, Zhang Ping, da Ciência e Tecnologia, Wan Gang, e de Comércio, Chen Deming.

A UE foi representada pelo presidente tcheco, Vaclav Klaus, o presidente da Comissão Europeia (órgão executivo), José Manuel Durão Barroso, e o chefe da diplomacia comunitária, Javier Solana.

A cúpula de hoje serviu também para pôr sobre a mesa o grande tema pendente da UE com a China, que é a adversa relação comercial para os europeus, que no ano passado fechou com um déficit de 169,6 bilhões de euros.

A China expressou hoje sua disposição em abrir mais seu mercado às importações europeias de modo a compensar o forte desequilíbrio comercial, segundo Barroso.

"A China está disposta a abrir o mercado e compensar os desequilíbrios", disse o presidente da Comissão Europeia ao término do encontro, que durou duas horas.

Por outro lado, Pequim mostrou hoje sua disposição, pelo menos na palavra, de facilitar o sucesso da cúpula de Copenhague sobre a mudança climática, que acontecerá ainda este ano.

"Apesar da crise financeira, a comunidade internacional não deve retroceder em sua determinação para abordar o problema do clima", ratificou Wen.

China e UE assinaram três memorandos de cooperação em matéria de energias renováveis, ciência e tecnologia, e desenvolvimento de pequenas e médias empresas. EFE gm/rr

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