PEQUIM - O governo chinês anunciou, nesta sexta-feira, que deve manter contatos e negociações com o representante do Dalai Lama nos próximos dias, após governos como o dos Estados Unidos e da União Européia (UE) pedirem a Pequim o reatamento do diálogo com o líder espiritual tibetano no exílio. http://ultimosegundo.ig.com.br/olimpiada/Saiba tudo sobre a Olimpíada http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/04/25/na_india_tibetanos_exigem_que_china_liberte_panchen_lama_1286780.htmlTibetanos exigem que China liberte Panchen Lama http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/04/13/china_enfrenta_desafio_mundial_ao_sediar_olimpiada_de_2008_1270077.htmlChina enfrenta desafio mundial ao sediar Olimpíada de 2008

AFP
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Após pressão internacional, China irá falar com Dalai Lama
O anúncio foi feito por um funcionário não identificado através da agência oficial de notícias "Xinhua", e o objetivo destes contatos é "que o Dalai Lama detenha os atos separatistas e deixe de sabotar os Jogos Olímpicos de Pequim".

Apesar de a atitude de Pequim parecer indicar uma concessão à pressão externa, a fonte continua atribuindo ao líder espiritual uma atitude violenta contra a China.

Pequim culpa o Dalai Lama, exilado na Índia desde 1959, de instigar as revoltas iniciadas em 14 de março na região autônoma, e reprimidas pelas forças de segurança chinesas provocando uma onda de críticas do Ocidente.

O Dalai Lama, que negou sua influência na revolta e pediu que os Jogos não fossem boicotados, deu as boas-vindas à nova atitude do governo chinês, apesar de ter acrescentado que não recebeu uma confirmação oficial do mesmo, disse seu porta-voz na Índia.

Nos últimos anos, seus emissários e Pequim mantiveram contatos para seu retorno ao Tibete, diante do temor do governo comunista de que o 14º Dalai Lama, Tenzin Gyatso, de 73 anos, morra no exílio criando um mito impossível de combater.

O líder espiritual renunciou a suas aspirações de independência, o que o trouxe a antipatia de alguns dos ativistas exilados mais radicais, apesar de ser venerado pela maioria dos tibetanos.

A decisão de Pequim é tomada depois que o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, expressou sua esperança de que sejam obtidos avanços no diálogo com o dalai lama, após sua reunião em Pequim com o primeiro-ministro Wen Jiabao.

O mesmo fez esta semana o presidente dos EUA, George W. Bush, por causa da onda de protestos em todo o mundo contra o governo chinês durante a passagem da tocha olímpica por cidades como Londres, Paris e San Francisco por defensores do Tibete e dos direitos humanos.

Repressão ao Tibete

A região, que desfrutou de períodos de autonomia antes da ocupação comunista em 1951, registrou seus piores protestos em duas décadas desde 14 de março, com 20 civis mortos por tibetanos violentos, segundo Pequim, ou mais de 100 pela repressão militar chinesa, afirmam tibetanos no exílio.

A recusa do governo chinês em permitir o acesso a observadores e à imprensa estrangeira ao Tibete para apurar os episódios exacerbou as críticas externas, que na China foram entendidas não como um ataque a seu governo, mas a todo o povo chinês num momento em que os Jogos simbolizam a apresentação da China aos olhos do mundo.

A reação chinesa veio na forma de protestos e no boicote contra empresas estrangeiras como o Carrefour nos últimos dias.

"As autoridades chinesas falharam em prever em que medida o mundo usaria os Jogos Olímpicos para conseguir espaço na imprensa para queixas contra o Governo chinês, sobretudo em relação às violações de direitos humanos", declarou Paul Gordon Harris, professor de Ciências Políticas da Universidade Lingnan de Hong Kong.

Segundo Harris, o aparelho de propaganda chinês conseguiu fazer com que o povo acreditasse que as críticas eram dirigidas para todo o país.

"Muitos chineses vêem a reação externa como um sinal de que o mundo não entende nem respeita a China. A realização dos Jogos promoveu o nacionalismo no país e arrebatou o apoio público para o governo", disse Andrew J. Nathan, catedrático da Universidade de Columbia.

Enquanto Pequim tenta satisfazer as exigências diplomáticas e manter uma imagem de firmeza em casa, os Jogos estão mostrando que "a concepção de sociedade moderna na terceira maior potência econômica mundial é muito diferente da dos EUA ou da UE", afirma o catedrático.

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