Por John Ruwitch SHENZHEN, China (Reuters) - O presidente da China disse esperar resultados positivos das conversações com enviados do Dalai Lama, iniciadas neste domingo, mas a mídia estatal manteve a enxurrada de ataques ao líder espiritual exilado do Tibet.

'Espero que desta vez os contatos produzam resultados positivos', disse o presidente Hu Jintao, segundo a agência de notícias Xinhua.

As conversações de paz entre autoridades chineses e dois assessores do Dalai Lama, as primeiras desde a irrupção de protestos de tibetanos e de distúrbios que causaram mortes, em março, começaram a portas fechadas na cidade de Shenzhen, perto de Hong Kong.

Os protestos, o mais sério desafio ao domínio chinês na região montanhosa em quase duas décadas, desencadearam manifestações contra a China em vários países, prejudicando a trajetória da tocha olímpica e levando líderes ocidentais a pedir o boicote dos Jogos de Pequim, que serão realizados em agosto.

'Quando determinamos a posição de uma pessoa, não devemos apenas ouvir o que ela diz, mas também observar suas ações', disse Hu a um grupo de repórteres japoneses em Pequim, antes de sua visita ao Japão.

'A porta para o diálogo sempre esteve aberta. Nós sinceramente esperamos que o lado do Dalai possa mostrar através de atos que pararam de fato com as atividades separatistas, interromperam conspirações para incitar a violência e deixaram de sabotar as Olimpíada de Pequim', afirmou Hu.

Isto iria 'criar condições para a próxima rodada de diálogo', acrescentou Hu.

A segurança era cerrada no edifício estatal onde estariam sendo mantidas as conversações em Shenzhen e repórteres não tinham permissão para entrar no local.

'A reunião se realizou esta manhã, continuará amanhã e possivelmente no dia seguinte. Esperamos que seja retomada no dia 7 ou 8 de maio', afirmou neste domingo à Reuters Tenzin Taklha, assessor do Dalai Lama.

'Esperamos que os chineses sejam sérios sobre as conversações e esperamos que os chineses queiram examinar os problemas no Tibet.'

Um editorial no Tibet Daily, porta-voz do governo regional do Tibet, acusou o Dalai de ser 'uma ferramenta leal às forças internacionais antichinesas' e de tentar separar o Tibet da China.

(Reportagem adicional de Guo Shipeng e Benjamin Kang Lim, em Pequim, e Abhishek Madhukar, em Dharamsala)

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