China envia navios contra piratas na costa da Somália

PEQUIM - Três navios militares chineses de grande porte partiram nesta sexta-feira rumo à Somália para ajudar a combater os piratas na região, num claro sinal da crescente ambição político-militar chinesa no cenário global.

Redação com agências internacionais |


Os destróieres Haikou e Wuhan, dois dos mais sofisticados navios de guerra da Marinha da China, e mais um cargueiro iniciaram o percurso a partir da ilha turística de Hainan, no sul, informou a agência oficial de notícias Xinhua. As três embarcações levam cerca de 800 tripulantes, incluindo 70 soldados treinados para operações especiais, disse a Xinhua.

AP
Marinheiros chineses no porto de Sanya, província de Hainan

"Fizemos preparativos especiais para lidar com os piratas, mesmo considerando que essas águas não são familiares para nós", disse o comandante da missão, contra- almirante Du Jingcheng, segundo a agência.

As forças especiais devem dar vantagem à frota ao se deparar com piratas. Um dos soldados é capaz de "enfrentar vários inimigos com as mãos desarmadas", afirmou a agência.

"Nosso principal objetivo não é atacá-los, mas dispersá-los", disse Du. "Se os piratas fizerem ameaças diretas contra navios de guerra ou embarcações que escoltamos, a frota adotará medidas defensivas."

Uma onda de ataques este ano no movimentado Golfo de Áden e no Oceano Índico, na costa da Somália, provocou o aumento dos custos de seguros, proporcionou dezenas de milhões de dólares às gangues somalis em resgates, e levou vários países a mandar navios de guerra para a área.

Grande parte do comércio chinês transita pelo Golfo de Áden. Sete cargueiros chineses foram atacados na região em 2008.

Missão histórica

Esta é a primeira investida deste tipo das forças navais do Exército Popular de Libertação em seus 81 anos de vida e de toda a Marinha chinesa desde o século XV e da dinastia Ming, segundo os historiadores. A missão envolve 800 homens, 70 deles membros de uma força especial da Marinha, e pode durar três meses, segundo o governo chinês.

A Marinha chinesa tem como objetivo defender as costas chinesas e suas operações no exterior se limitaram até então a manobras conjuntas, escalas portuárias e visitas diplomáticas.

Pequim decidiu na semana passada unir-se à luta contra os piratas que infestam as águas da Somália para proteger os navios mercantes, especialmente chineses, e as embarcações que transportam ajuda humanitária de organizações internacionais como o Programa Alimentar Mundial (PAM) da ONU.

A quarta maior potência econômica mundial alega que sua luta antipirataria está "em estrita conformidade com as resoluções do Conselho de Segurança da ONU e as leis internacionais".

"O senso comum é que a China é agora uma potência regional e no plano econômico se tornou um ator importante, com crescente força econômica," disse Wu Ray-kuo, diretor administrativo de riscos políticos na Universidade Fu-Jen, de Taipei, Taiwan.

Participação japonesa

Além da China, o Japão anunciou que em breve também poderá enviar navios para a área. A eventual operação poderá se transformar em um problema diplomático e legal para o governo japonês, já que as atividades militares fora do país são fortemente restringidas pela Constituição pacifista estabelecida após a 2ª Guerra Mundial.

O primeiro-ministro japonês, Taro Aso, ordenou ao ministro da Defesa, Yasukazu Hamada, que dê andamento às reuniões para avaliar como as Forças Armadas poderiam agir contra os piratas, disse o principal porta-voz do governo aos repórteres.

"Ele deu ordens ao ministro da Defesa para que acelere as considerações de modo que possamos agir rapidamente", disse a jornalistas o secretário do gabinete de governo, Takeo Kawamura.

O envio de navios seria o primeiro do Japão à região. Os militares do Japão não se envolvem em combates desde a 2a Guerra, embora forças japonesas estejam no Iraque para ajudar na reconstrução do país.

Qualquer missão japonesa também faz surgir a possibilidade de que o Japão possa acabar trabalhando na questão da pirataria em conjunto com a China, país onde ainda são profundas as memórias da brutal invasão do Exército japonês entre 1931 e 1945 e, a parcial ocupação do território chinês.

(Ben Blanchard, com reportagem adicional de Isabel Reynolds, em Tóquio, e Doug Young, em Taipei)

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