Por Chris Buckley URUMQI, China (Reuters) - A China elevou o número de mortos da violência em Xinjiang, dando pela primeira vez a classificação étnica dos mortos. Uma grande presença de forças de segurança na cidade que está no centro da discussão impediu mais protestos neste sábado.

A agência de notícias oficial Xinhua afirmou que 184 pessoas morreram nas revoltas do dia 5 de julho em Urumqi, a capital regional de Xinjiang, e 137 dos mortos eram chineses Han, que formam a maioria da população chinesa, que tem 1,3 bilhão de habitantes. O número total de mortos divulgado anteriormente era de 156 pessoas.

A última atualização incluiu 46 Uighurs, a grande população muçulmana de Xinjiang, que divide laços culturais com centro-asiáticos. Apenas um dos mortos não era do sexo masculino. Os Uighurs, antes uma larga maioria em Xinjiang, agora somam 46 por cento dos 21,3 milhões de pessoas que moram na região, de acordo com estatísticas do governo.

A Xinhua afirmou que a outra pessoa morta nos ataques, que começaram no fim de semana passado, era do grupo étnico Hui, que é muçulmano, mas culturalmente similar ao Han.

O curto relato não indicou se as forças de segurança foram responsáveis por alguma morte.

A reação nas ruas de Urumqi ao número de mortos oficialmente divulgado refletiu as profundas divisões étnicas em Xinjiang, com os Uighurs tirando o crédito das estatísticas.

"Esse é o número do pessoal Han. Temos nosso próprio número," afirmou Akumjia, um Uighur.

Autoridades chinesas demoraram para divulgar a etnia dos mortos, possivelmente preocupadas em não inflamar ainda mais a situação.

Pequim não quer perder o seu controle sobre o vasto território, que faz fronteira com Rússia, Mongólia, Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão, Afeganistão, Paquistão e Índia, tem abundantes reservas de petróleo e é a região da China que mais produz gás natural.

Zhou Yongkang, a maior autoridade de segurança interna do Partido Comunista da China, afirmou que o país agora tinha que "vigorosamente continuar essa difícil batalha para proteger a estabilidade em Xinjiang," informou neste sábado o Diário de Xinjiang.

O Human Rights Watch afirmou que o governo destacou cerca de 20 mil soldados para Urumqi desde os confrontos do dia 5 de julho, que começaram após forças de segurança interromperem um protesto sobre as mortes de trabalhadores Uighurs no sul da China.

(Reportagem adicional de Ben Blanchard em Xangai)

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