China e Taiwan iniciam seu primeiro diálogo em quase uma década

Pequim, Taipé, 12 jun (EFE).- Representantes da China e de Taiwan retomaram hoje em Pequim um diálogo histórico após nove anos de tensões entre os dois territórios - divididos após a guerra civil chinesa terminada em 1949 - e por meio do qual chegarão a um acordo sobre a liberação do transporte bilateral.

EFE |

"As conversas desta semana abrirão um novo capítulo na história das relações entre China e Taiwan e serão a base para uma coexistência pacífica no Estreito de Formosa", disse Chiang Pin-kun, presidente da Fundação para os Intercâmbios do Estreito (FIE) de Taiwan, antes da reunião.

O encontro entre Chiang e seu interlocutor chinês, Chen Yunlin, presidente da Associação para as Relações no Estreito de Taiwan (Arats, sigla em inglês) começou hoje às 9 da manhã (horário local) na Casa de Hóspedes de Estado de Diaoyutai.

"Sentimos a grande responsabilidade desta gloriosa missão e não pouparemos esforços para transformar em realidade o desejo dos dois povos", disse Chen no início da reunião, segundo a agência de notícias chinesa "Xinhua". Ele acrescentou que se tratava de um "momento histórico".

Um dos acordos iniciais alcançados esta manhã é a abertura de escritórios de representação em territórios recíprocos, as primeiras após 60 anos, para facilitar os contatos entre as entidades negociadoras, declarou uma porta-voz da FIE, que afirmou que o anúncio formal será feito em seu devido tempo.

Os dois territórios não mantêm laços bilaterais e nenhuma das duas agências é plenamente governamental pelo fato de a China considerar Taiwan parte de seu território.

O diálogo iniciado hoje foi propício em virtude da posse, no último dia 20, de Ma Ying-jeou, do partido nacionalista Kuomintang (KMT), como presidente de Taiwan - o mesmo que perdeu a guerra civil para os comunistas de Mao Tsé-tung e sob cuja legislatura anterior foi rompida a relação com a China, em 1999.

O então presidente de Taiwan Lee Teng-hui propôs um modelo "especial de Estado a Estado" para o formato das relações com a China, algo que desagradou Pequim, que suspendeu o diálogo.

O mandato de Lee foi um dos mais fracassados nas relações da ilha com a China, já que três anos antes Pequim efetuara um lançamento balístico para convencer os eleitores a escolherem o futuro presidente.

No entanto, oito anos na oposição durante o mandato do pró-independentista Chen Shui-bian (2000-2008) favoreceram os contatos entre o KMT e seu histórico inimigo, o Partido Comunista da China (PCCh), enquanto voltava a ser registrada uma crise em ambos os lados do estreito com a promulgação da Lei Anti-secessão chinesa de 2005, que permitia um ataque armado contra a ilha.

Os acordos que são negociados no encontro de hoje, e que serão modelados amanhã, tratarão de aspectos que afetam o comércio bilateral e o turismo, como o estabelecimento de vôos diretos entre os dois territórios, inexistentes desde 1949, salvo raras exceções.

Desde 2005, apenas em quatro festividades oficiais durante o ano são fretados vôos da China para a ilha, nos quais estão presentes principalmente os empresários de Taiwan que trabalham no continente.

Por outro lado, as visitas de turistas chineses a Taiwan estão restritas até agora a viagens organizadas em grupo, por isto, com o diálogo de hoje, espera-se abrir este crescente canal de entradas na ilha.

Segundo a imprensa de Taiwan, o Governo da ilha se mostrou otimista sobre o futuro dos laços com a China, mas o agora opositor Partido Democrata Progressista reagiu dizendo que "teme que a soberania seja vendida em troca de benefícios econômicos".

De fato, o objetivo do Arats é uma futura "unificação pacífica" na qual a ilha retornaria à "pátria mãe", uma opção rejeitada pela população de Taiwan enquanto se mantiver o Governo de partido único do PCCh no continente.

No entanto, o investimento de Taiwan na China, que acumulou US$ 100 bilhões nos 15 últimos anos, é um motivo de peso para que o país defenda uma aproximação, pelo menos econômica, com a China. EFE mz/fh/fal

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