China e Taiwan esquecem conflitos para se unirem contra a crise

Pequim, 26 abr (EFE).- Os negociadores de China e Taiwan, em conflito desde 1949, acertaram hoje em Nankin (leste da China) unir esforços em matéria econômica, judicial e de transportes para enfrentar de forma comum a crise, que afeta as exportações e o emprego das duas economias.

EFE |

Os chefes das duas associações encarregadas das relações através do Estreito de Formosa, o chinês Chen Yunlin e o taiuanês Chiang Pin-kung, assinaram os três acordos após dois dias de reuniões, na terceira rodada de negociações que ambas as partes organizam desde 2008.

Chen e Chiang acertaram que a China promoverá medidas para estimular o investimento de companhias chinesas na ilha de Taiwan, "especialmente em um momento no qual a crise financeira internacional está tendo graves impactos negativos nas duas economias".

Na China, a queda da demanda causou em sua indústria o fechamento de milhares de fábricas e a perda de mais de 20 milhões de empregos, enquanto em Taiwan esse mesmo fenômeno, notado especialmente em sua indústria eletrônica, elevou sua taxa de desemprego para 5,81%, o pior número desde 1978.

Chiang, presidente da taiuanesa Fundação Intercâmbios do Estreito, destacou em uma declaração após as negociações que Taiwan "sinceramente dá as boas-vindas às companhias chinesas que invistam na ilha", e assegurou que Taiwan expandirá gradualmente os setores abertos ao investimento da parte continental.

Chen, presidente da Associação para as Relações através do Estreito, assinalou por sua parte que o Governo chinês apoiará "ativamente" que as empresas chinesas invistam em Taiwan, ilha que desde 2003 tem na China seu maior parceiro comercial, com um volume anual de trocas bilaterais superior a US$ 100 bilhões.

No marco dos acordos financeiros, China e Taiwan promoverão que as empresas chinesas do setor abram filiais na ilha taiuanesa e vice-versa, além de autorizá-las a oferecer serviços em dinheiro.

Nas negociações, China e Taiwan também acertaram aumentar o número de voos regulares entre ambos os territórios - iniciados no ano passado - de 108 para 270, acrescentando seis terminais aos que já podiam fretar este tipo de linhas.

Também se pactuou a luta conjunta contra delitos tais como o tráfico de armas, drogas e pessoas, assim como as fraudes e falsificações.

As negociações, que se realizam apesar aos protestos dos setores independentistas taiuaneses, refletem a política de aproximação à China do atual presidente taiuanês, Ma Ying-jeou, do partido nacionalista Kuomintang (KMT), em claro contraste com seu antecessor, Chen Shui-bian (Partido Democrata Progressista), atualmente processado por corrupção.

A primeira rodada de negociações entre Chiang e Chen aconteceu em Pequim, em 2008, e nela foram alcançados acordos sobre voos diretos e chegada de turistas chineses à ilha.

A segunda rodada aconteceu em Taipé, em novembro do ano passado, e no meio de violentos protestos independentistas foram alcançados acordos em cooperação para a segurança alimentar, se estabeleceram voos diretos diários, e se iniciaram os laços diretos marítimos e postais, proibidos desde 1949. EFE abc/ma

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