China e Taiwan assinam acordos históricos sobre transporte e turismo

China e Taiwan assinaram nesta sexta-feira, no segundo dia de contatos com o objetivo de reduzir décadas de tensão, acordos históricos para o setor de transporte, que a partir do próximo mês permitirão a viagem de milhares de pessoas a cada dia entre a ilha nacionalista e o continente.

AFP |

Os acordos, assinados pelos presidentes dos dois organismos semi-oficiais responsáveis pela negociação, prevêem a implementação de vôos regulares entre a China e Taiwan, além da autorização para que os turistas chineses possam visitar a ilha nacionalista.

"As duas questões resolvidas serão motivo de alegria para nossos compatriotas nos dois lados do estreito de Taiwan", afirmou o negociador chinês Sun Yafu.

"Promoverão o intercâmbio de pessoas entre as duas partes", acrescentou.

O presidente chinês Hu Jintao manifestou satisfação com o reinício do diálogo com Taiwan.

"A retomada do diálogo representa um bom começo para a melhoria e o desenvolvimento das relações", declarou Jintao ao receber o negociador taiwanês, Chiang Pin-kun.

O acordo autoriza 18 vôos regulares procedentes de Taiwan e outros 18 com embarque no continente a cada fim de semana, entre sexta-feira e segunda-feira. A ponte aérea começará no dia 4 de julho e pode ser ampliada no futuro se a demanda for grande.

Os vôos diretos entre os dois lados estavam interrompidos desde o fim da guerra civil em 1949. Apenas alguns vôos entre Taiwan e cidades chinesas eram autorizados no períodode festas nacionais.

Assim, os taiwaneses que desejavam viajar ao continente tinham que transitar por outro país ou por Hong Kong, antiga colônia britânica que se reintegrou à China em 1997 com o status de zona administrativa especial.

A entrada de turistas chineses em Taiwan também era muito restrita até o momento. Porém, os acordos triplicarão a partir de 18 de julho o número de visitantes do continente autorizados a visitar a ilha a cada dia, elevando a quantidade a 3.000, o que promete estimular o setor do turismo taiwanês.

Os acordos integram um esforço de aproximação entre China e Taiwan, estimulado pela eleição em março de Ma Ying-jeou, do Partido Koumintang, como presidente da ilha.

Em 1993, China e Taiwan iniciaram conversações em Cingapura, mas Pequim suspendeu as mesmas em 1995 como protesto por uma visita do então presidente taiwanês aos Estados Unidos, o que o continente interpretou como um movimento a favor da independência da ilha.

Os últimos anos foram marcados por muita tensão, provocada pelas ameaças de independência feitas pelo ex-presidente taiwanês Chen Shui-bian, derrotado por Ma na votação de março.

A China considera Taiwan parte de seu território e espera uma reunificação do país. Pequim já ameaçou invadir a ilha se esta declarar a independência.

No entanto, desde a eleição de Ma e sua posse em maio, as divergências diminuíram de modo considerável.

wf-kma/fp

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