China e Taiwan assinam acordo histórico para estabelecer 18 vôos semanais

Pequim - China e Taiwan chegaram hoje a um acordo histórico para estabelecer, a partir de 4 de julho, 18 vôos turísticos semanais entre o continente e a ilha, unindo, pela primeira vez desde 1949, ambos os lados do Estreito de Formosa.

EFE |

Os vôos de fim de semana, que serão ampliados para 72 assim que terminarem os Jogos Olímpicos, partirão de Pequim, Xangai, Cantão, Xiamen e Nankin no continente, e Taipé, Taoyuan, Taizhong, Gaoxiong, Hualian, Taidong, Penghu e Jinmen, na ilha de Taiwan.

"Um máximo de três mil turistas chineses poderão viajar para Taiwan diariamente", diz o acordo, que entrará em vigor no dia 20 de junho e que ressalta que a estadia máxima permitida será de 10 dias. "Esperei muitos anos para viajar a Taiwan após ir a várias cidades. É a única parte da China em que nunca estive", disse hoje Liu Shijun, um aposentado de 65 anos de Nankin, ao jornal oficial "China Daily".

Seis companhias aéreas chinesas e outras seis de Taiwan fretarão os vôos, abertos a "todos aqueles que dispuserem de permissões legais para atravessar o estreito (de Formosa)".

Consultado pela Agência Efe, o Escritório de Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado chinês não soube informar se também será estendida aos estrangeiros a possibilidade de viajar por essas rotas.

"É um desenvolvimento muito positivo e saudável nas relações do estreito", afirmou à imprensa local George Tsai, professor de Ciências Políticas da Universidade de Cultura Chinesa de Taiwan.

"O entorno é propício. Agora foi possível iniciar (o acordo) e garanto que avançará ainda mais. Não podemos esperar alcançar o objetivo final em um só passo", disse Michael Lo, ex-executivo-chefe da Associação de Companhias Aéreas de Taipé (TAA, em inglês), citado pela agência oficial "Xinhua".

Na agenda futura, ainda permanece o acordo para determinar a rota exata que seguirão as aeronaves no estreito de Formosa - o que será decidido "o mais rápido possível". Por enquanto, os vôos deverão desviar-se por Hong Kong para completarem o percurso.

Outro ponto sensível e pendente de negociação é o sistema de controle de todo o tráfego aéreo que sobrevoará o estreito a partir de julho.

No ano de 2003, Taiwan e China haviam estabelecido um serviço pontual de aviões coincidindo com a Festa da Primavera, na qual é tradição que as famílias chinesas se reúnam.

O acordo de hoje foi conseguido após nove anos de interrupção nas conversas entre os presidentes da chinesa Associação Intercâmbios através do Estreito (Arats), Chen Yunlin, e da Fundação Intercâmbios do Estreito (FIE), com sede em Taipé, Chiang Pin-kun.

Tanto Chen quanto Chiang - que visitou as instalações olímpicas de Pequim 2008 após a confirmação do acordo - disseram sentir, desde o reatamento das negociações, na quinta, que os contatos são uma "missão gloriosa" para a qual prometeram não poupar esforços.

As primeiras negociações entre China e Taiwan, divididas desde 1949 após se refugiar, nesse último país, o Governo dos nacionalistas do Kuomintang (KMT), ocorreram em sigilo em Hong Kong durante 1992.

Na ocasião, a ilha de Taiwan era presidida por Lee Teng-hui (também do KMT), que, na época, já havia dado sinal verde às primeiras visitas e contatos econômicos com a China.

As negociações foram suspensas em 7 de julho de 1999, quando o então presidente taiwanês Lee Teng-hui qualificou os laços entre Taipé e Pequim de "estatais" de caráter especial.

A saída do independentista Chen Shui-bian da Presidência de Taiwan, em 20 de maio de 2000, estagnou os contatos entre ambas as partes e as tensões entre os governos da China e de Taiwan continuaram.

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