China e Rússia vetam sanções contra Zimbábue e EUA criticam russos

China e Rússia, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, vetaram nesta sexta-feira um projeto de resolução apresentado pelos EUA e que imporia severas sanções ao governo do Zimbábue.

AFP |

O projeto recebeu nove votos a favor, cinco contra (China, Rússia, África do Sul, Líbia e Vietnã) e uma abstenção (Indonésia).

Esses seis países rejeitam o envolvimento do Conselho de Segurança na crise zimbabuana. Seus representantes argumentam que a situação no Zimbábue não constitui uma ameaça à paz e à segurança mundiais, único âmbito que compete ao Conselho.

Além disso, o grupo alega que aplicar sanções agora colocaria em risco as delicadas negociações entre os partidos rivais do Zimbábue, que começaram nesta quinta-feira, em Pretória, sob a égide da África do Sul.

Robert Mugabe, o mais antigo dos chefes de Estado africanos, há 28 anos no poder, tomou posse recentemente para um sexto mandato na presidência do Zimbábue, depois de uma eleição "fraudada", segundo a oposição e os países ocidentais.

Vencedor do primeiro turno da eleição, em 29 de março, o líder da oposição Morgan Tsvangirai abandonou a disputa eleitoral diante da violência contra seus partidários, que deixou 103 mortos, 10 mil feridos e 5 mil desaparecidos.

O projeto prevê um embargo de armas, o congelamento dos bens financeiros do país e a proibição (para 14 personalidades zimbabuanas, entre elas o presidente Mugabe) de viajar para o estrangeiro.

O embaixador americano na ONU, Zalmay Khalilzad, acusou a Rússia hoje de mudar de posição a respeito do Zimbábue, após vetar um projeto de resolução que sancionaria o governo de Harare, depois de tê-lo aprovado durante a Cúpula do G-8.

"A mudança da posição russa é, particularmente, surpreendente e preocupante", declarou Khalilzad, lembrando que, durante essa recente reunião do G-8, no Japão, a Rússia havia "aprovado uma declaração" sobre medidas contra o Zimbábue por seu processo eleitoral violento.

A atitude da Rússia "questiona sua credibilidade como membro do G-8", atacou o embaixador americano.

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