China e Rússia vetam resolução sobre Zimbábue na ONU

NAÇÕES UNIDAS - Rússia e China vetaram, nesta sexta-feira, uma resolução proposta pelos Estados Unidos para impor sanções ao Zimbábue por causa das recentes eleições presidenciais, cujo segundo turno foi boicotado pelo candidato da oposição.

Redação com agências internacionais |

O texto imporia um embargo armamentista ao Zimbábue e restrições financeiras e de viagens ao presidente Robert Mugabe e 13 outros funcionários. Além disso, instituiria a figura de um enviado especial da ONU para o Zimbábue.

Nove países votaram a favor da resolução, e cinco foram contra (inclusive China e Rússia, que têm poder de veto). Houve uma abstenção, da Indonésia.

O Ocidente esperava que China e Rússia pelo menos se abstivessem, diante da gravidade da situação no Zimbábue.

África do Sul, Líbia e Vietnã também votaram contra.

Os adversários da resolução alegam que a situação do Zimbábue não configura uma ameaça à paz mundial, e que o governo e a oposição podem vir a se entender no diálogo que está em curso na África do Sul.

O embaixador britânico na ONU, John Sawers, disse que o Conselho 'se furtou à sua responsabilidade de fazer o possível para evitar que uma tragédia nacional se aprofunde e difunda seus efeitos por todo o sul da África'.

Grã-Bretanha, França, Itália, Bélgica, Croácia, Burkina Faso, Panamá e Costa Rica votaram junto com os EUA pela resolução.

Credibilidade questionada

O embaixador americano na ONU, Zalmay Khalilzad, acusou a Rússia de mudar de posição a respeito do Zimbábue, após vetar um projeto de resolução que sancionaria o governo de Harare e depois de têlo aprovado durante a Cúpula do G8.

"A mudança da posição russa é, particularmente, surpreendente e preocupante", declarou Khalilzad, lembrando que, durante essa recente reunião do G8, no Japão, a Rússia havia "aprovado uma declaração" sobre medidas contra Zimbábue por seu processo eleitoral violento.

A atitude da Rússia "questiona sua credibilidade como membro do G-8", atacou o embaixador americano.

Entenda a crise no Zimbábue

No primeiro turno do pleito, realizado no dia 29 de março, o candidato do partido opositor Movimento pela Mudança Democrática (MDC), Morgan Tsvangirai, de 56 anos, venceu por cinco pontos de vantagem sobre Mugabe.

Tsvangirai abandonou a corrida eleitoral uma semana antes do segundo turno, para denunciar a repressão praticada contra seus partidários. A violência, segundo o ex-candidato, deixou ao todo 200.000 desabrigados, 10.000 feridos e 90 mortos desde o fim de março.

Na segunda-feira, observadores da UA que fiscalizaram a votação no Zimbábue admitiram que o pleito não foi realizado "de acordo com as normas democráticas" da organização.

A crise política e econômica do Zimbábue arruinou um país antes próspero, fazendo nascer ali a pior hiperinflação do mundo atual e indispondo-o com seus vizinhos, em especial a África do Sul, para onde fugiram milhões de pessoas até agora.

(*Com informações das agências Reuters e AFP)

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