China e Rússia condenam escudo antimíssil dos EUA

Por Oleg Shchedrov PEQUIM (Reuters) - China e Rússia condenaram na sexta-feira os planos dos Estados Unidos para estabelecer um sistema de defesa antimísseis que incluiria bases no Leste Europeu, o que Moscou considera ser uma ameaça.

Reuters |

'Ambas as partes acreditam que criar um sistema global de defesa antimísseis, inclusive instalando tais sistemas em certas regiões do mundo, ou ter planos para tal cooperação, em nada ajuda no equilíbrio estratégico e na estabilidade, e ainda prejudica os esforços internacionais para controlar as armas e o processo de não-proliferação', disseram em nota conjunta os presidentes da China, Hu Jintao, e da Rússia, Dmitry Medvedev.

O russo faz em Pequim sua primeira visita ao exterior desde que assumiu o cargo, neste mês.

Washington diz que o escudo servirá de proteção contra 'Estados-párias', como Irã e Coréia do Norte, e na sexta-feira minimizou a importância do comunicado sino-russo.

'Acho que é apenas uma continuação do tipo de preocupação que eles já trouxeram no passado', disse um porta-voz do Departamento de Estado, lembrando que os EUA continuam discutindo a questão com Moscou.

A Rússia também está incomodada com supostas investidas do Ocidente contra seu poderio político e econômico, e espera encontrar na China uma aliada.

'Ao visitar a China em sua primeira viagem ao exterior desde a posse, o presidente Medvedev demonstrou que dedica elevada importância ao desenvolvimento das relações bilaterais', disse Hu.

Numa resposta velada às freqüentes críticas dos EUA contra a Rússia e a China na questão dos direitos humanos, os presidentes disseram acreditar na 'natureza universal do princípio de respeitar os direitos humanos, mas acreditam que cada Estado tem o direito de estimular e protegê-los com base em seus traços e características específicos.'

'Devemos nos opor à politização da questão e ao uso de padrões dúbios, e [...] ao uso dos direitos humanos para interferir nos assuntos de outros países', acrescentaram.

Os dois países estão envolvidos nas negociações nucleares com a Coréia do Norte, e irritam os EUA por usarem seu poder de veto na ONU para atenuar sanções contra o Irã. Pequim e Moscou propuseram conjuntamente um tratado para proibir a instalação de armas nos espaço, uma idéia rejeitada por Washington.

(Reportagem adicional de Ian Ransom)

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