China e países da Ásia Central apóiam com prudência a Rússia na crise da Geórgia

A China e quatro países da Ásia Central manifestaram apoio ao papel ativo da Rússia no conflito na Geórgia, sem mencionar o reconhecimento da independência da Abkházia e Ossétia do Sul por parte de Moscou, de acordo com o rascunho de um comunicado conjunto divulgado pelo Kremlin.

AFP |

A China e os presidentes dos Estados presentes em uma reunião de cúpula regional da Organização de Cooperação de Xangai (Rússia, China e quatro antigas repúblicas soviéticas da Ásia central, Cazaquistão, Quirguistão, Uzbequistão e Tadjiquistão), "apóiam o papel ativo da Rússia em sua contribuição para a paz e a cooperação na região", segundo o comunicado.

No entanto, o texto não menciona de forma explícita o reconhecimento das duas regiões separatistas georgianas. E nenhum dos chefes de Estado presentes, começando pelo presidente chinê Hu Jintao, expressou a intenção de reconhecer a Ossétia do Sul e a Abkházia.

A China, inclusive, reiterou preocupação com a decisão russa de reconhecer a independência das regiões separatistas georgianas.

"A China está preocupada com os últimos acontecimentos na Ossétia do Sul e Abkházia", disse o porta-voz da diplomacia chinesa, Qin Gang.

"Estamos muito preocupados com a complicada situação da Ossétia do Sul e Abkházia, e esperamos que os países envolvidos encontrem uma solução com diálogo", acrescentou.

Mais cedo, o presidente russo, Dmitri Medvedev, anunciara que a China e os países da Ásia central haviam adotado uma "posição unida" para apoiar as ações de Moscou na Geórgia.

"Estou seguro de que a posição unida terá ressonância internacional", disse Medvedev em Dushanbe, capital do Tadjiquistão.

"E espero que isso sirva de sinal sério para quem tentar apresentar o branco como negro para justificar a agressão", acrescentou, em referência à ofensiva militar empreendida pela Geórgia na Ossétia do Sul em 7 de agosto.

O presidente russo também pediu implicitamente aos Estados Unidos que suspendam seu apoio à Geórgia, uma antiga república soviética que aspira ser membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e cujos soldados foram preparados pelos norte-americanos.

"Sabe-se muito bem quem ajuda as autoridades georgianas e, inclusive, quem as estimula a seguir seus próprios objetivos. Isso é inaceitável e tem que acabar", enfatizou.

O chanceler russo, Serguei Lavrov, por sua vez, desdenhou da ameaça européia de impor sanções contra a Rússia.

As ameaças de sanções da UE, expressadas pelo ministro francês das Relações Exteriores Bernard Kouchner, foram feitas "apenas porque eles (os europeus) estão irritados com o fato de que o 'cãozinho' de certas capitais ocidentais não cumpriu as expectativas deles", afirmou Lavrov à imprensa à margem da reunião em Dushanbe.

A UE, que se reunirá segunda-feira de modo extraordinário, considera impor sanções à Rússia, revelou o chanceler francês Bernard Kouchner, cujo país exerce a presidência semestral do bloco.

spm/fp/cn

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