China e Ocidente preocupados que a Rússia inicie uma nova Guerra Fria

A pressão sobre a Rússia, muito criticada depois de ter reconhecido a independência das regiões separatistas da Geórgia, aumentou nesta quarta-feira com a reação da China, que expressou sua preocupação, enquanto os países ocidentais alertam que Moscou não deve iniciar uma nova Guerra Fria.

AFP |

"Pequim está preocupada com os últimos acontecimentos na Ossétia do Sul e na Abkházia", afirmou o porta-voz da diplomacia chinesa, Qin Gang, citado pela agência Xinhua (Nova China).

Até o momento a China havia permanecido silenciosa a respeito, expressando apenas a esperança de que as partes envolvidas encontrassem uma solução adequada para o problema.

A declaração chinesa acontece pouco antes do encontro entre o presidente russo Dmitri Medvedev e seu colega chinês Hu Jintao em Dushanbe, capital da antiga república soviética do Tadjiquistão, por ocasião de uma reunião de cúpula dos países da Organização de Cooperação de Xangai (OCS).

Para aumentar a pressão, o ministro britânico das Relações Exteriores, David Miliband, declarou que a Rússia "não deve iniciar uma nova Guerra Fria", estimando, no entanto, que seria contraproducente isolar Moscou.

A chanceler alemã Angela Merkel, por sua vez, afirmou que a decião de Medvedev em reconhecer a independência da Abkházia e da Ossétia do Sul "não se ajusta ao direito internacional", segundo informou seu porta-voz, Ulrich Wilhelm.

O chanceler francês Bernard Kouchner também acusou a Rússia de ter ignorado a lei internacional e que a União Européia (UE) não pode aceitar as violações do direito internacional e dos acordos de segurança.

"Os 27 países da UE vão evidentemente reagir", advertiu Kouchner, cujo país exerce a presidência semestral da UE.

Mas Medvedev se defendeu, em entrevista ao jornal Financial Times, que sua decisão de reconhecer a independência da Ossétia do Sul e da Abkházia está "fundamentada no direito internacional".

"O reconhecimento da independência foi feito levando em consideração os desejos expressados livremente pelos povos de Ossétia e Abkházia, e com base nos princípios da carta das Nações Unidas e de outros documentos do direito internacional", destacou Medvedev ao jornal britânico.

A Otan, por sua vez, pediu nesta quarta-feira à Rússia que reverta a decisão de reconhecer duas regiões separatistas e respeite a integridade territorial do país do Cáucaso.

"A Otan condena a decisão da Federação Russa de reconhecer as regiões separatistas georgianas da Ossétia do Sul e da Abkházia e pede à Rusia que recue em sua decisão", afirma a Aliança Atlântica em um comunicado publicado após a reunião dos 26 embaixadores em Bruxelas.

"A decisão da Rússia viola as numerosas resoluções do Conselho de Segurança da ONU que os russos aprovaram sobre a integridade territorial da Geórgia", acrescenta o texto da Otan.

Os ocidentais denunciam o reconhecimento das duas repúblicas, assim como a manutenção na Geórgia de posições avançadas das forças russas, principalmente próximo ao porto de Poti, no Mar Negro, em violacão ao plano de paz assinado em 12 de agosto.

A Geórgia anunciou sua decisão de rebaixar o nível de seus vínculos diplomáticos com a Rússia mantendo apenas dois diplomatas em sua embaixada em Moscou.

"Não teremos embaixador em Moscou e apenas um diplomata de alto escalão e outro de segundo continuarão trabalhando em nossa embaixada na Federação Russa", informou a chanceler georgiana Eka Tkeshelashvili.

Por fim, a Rússia ordenou uma vigilância do crescente número de navios da Otan no Mar Negro, conforme revelou um general do país em um encontro com a imprensa para comentar o conflito na Geórgia.

"Em vista do aumento das forças navais da Otan no Mar Negro, a frota (russa) também terá a tarefa de vigiar suas atividades", afirmou o chefe adjunto do Estado-Maior das Forças Armadas russas, Anatoli Nogovitsin.

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