China e Índia tomam medidas contra crise global

Por Angus MacSwan LONDRES (Reuters) - Dois países emergentes sentiram os efeitos da crise financeira global neste sábado, quando a Índia inesperadamente cortou sua principal taxa de empréstimo a curto prazo novamente e a China afirmou que agora já sente uma redução na sua atividade econômica.

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Os dois fatos ocorrem após sinais nesta semana de que os mercados mundiais estavam se estabilizando, com taxas entre bancos caindo e as bolsas norte-americanas tendo sua melhor semana em 34 anos.

"O impacto da crise na China já começou a aparecer, com a China vendo uma forte queda do lucro industrial e das receitas fiscais", disse neste sábado um alto executivo do Banco da China (BOC), em Xangai.

A economia global deve entrar em recessão no próximo ano, com os Estados Unidos, a Europa e o Japão tendo crescimento econômico negativo, disse o vice-presidente-executivo Zhu Min em uma conferência financeira. "Isso causará um grande impacto na China", afirmou.

A Vale, que dobrou sua produção de minério de ferro nos últimos anos para fazer frente à elevada demanda chinesa, anunciou na sexta-feira que está reduzindo em cerca de 10 por cento a produção da commodity para se ajustar à retração mundial da demanda pelo produto.

Zhu também disse que a volatilidade da moeda deve trazer ainda mais pressão aos bancos da China, que tiveram grandes lucros durante anos com o crescimento do país. O aumento dos ganhos agora está diminuindo com a economia esfriando devido ao impacto da crise.

"As incertezas nos mercados financeiros globais expuseram o setor bancário chinês a maior risco externo", afirmou Zhu.

Um porta-voz do banco central afirmou que, para preservar o crescimento da sua economia, Pequim não estava mais impondo limites rígidos em empréstimo de bancos, para os quais os mercados externos são importantes.

Na Índia --que como a China atraiu muitos investimentos externos nos últimos anos com o crescimento da economia--, o banco central cortou a principal taxa de juros pela segunda vez em semanas para amenizar a falta de recursos e estimular o crescimento da economia.

Analistas dizem que a medida surpreendente mostrou que os sinais de preocupação na terceira maior economia da Ásia estavam se tornando mais fortes.

"Essas ações eram necessárias e tinham de ser tomadas na área da liquidez. A situação estava piorando", afirmou Vikas Agarwal, estrategista do JP Morgan.

O banco central cortou a sua principal taxa de empréstimos a curto prazo em 50 pontos-básicos, para 7,5 por cento, e o índice para empréstimos a bancos em 100 pontos-básicos, a 5,5 por cento.

Os pedidos de reserva de bonds pelos bancos foram cortados em um ponto percentual, para 24 por cento de seus depósitos, disse o banco central.

"A desordem financeira global teve efeitos negativos em nossos mercados financeiros. Isso reforçou a importância de focar em preservar a estabilidade financeira," disse o banco.

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