China e emergentes crescerão menos com crise, dizem analistas

As atuais turbulências no mercado internacional devem fazer com que a economia da China cresça menos neste ano, o que desaceleraria também as economias emergentes como a do Brasil, segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil. Segundo eles, o crescimento econômico chinês pode ficar pela primeira vez bem abaixo dos dois dígitos.

BBC Brasil |

Como a China é hoje um grande investidor e comprador de produtos da América Latina - em especial do Brasil -, o efeito da desaceleração chinesa faria com que a região sentisse com ainda mais força a crise econômica global.

As economias de países ricos, como Estados Unidos e Europa, vêm sofrendo desaceleração desde o ano passado, devido a uma crise no mercado imobiliário americano.

O anúncio do pedido de concordata nesta semana do Lehman Brothers, um dos grandes bancos americanos, provocou quedas nas bolsas de todo o mundo. Teme-se agora que a crise no mercado financeiro agrave ainda mais a situação das economias de vários países.

Abaixo de dois dígitos
"Por causa do desaquecimento global, as exportações da China para os países mais ricos vão cair. O crescimento pode ficar bem abaixo dos dois dígitos pela primeira vez em anos", afirmou ela à BBC Brasil a professora de economia Linda Yueh, da London School of Economics. Nos últimos dois anos, a China cresceu mais de 11%.

Na segunda-feira, a China cortou a taxa de juros oficial do país pela primeira vez em seis anos, de 7,41% para 7,2%. Segundo Yueh, esse corte mostra que já existem sinais de que o crescimento industrial da China está se desacelerando.

Para ela, em uma época de crise nos Estados Unidos e Europa, a China não tem condições de substituir o Ocidente como motor de crescimento global.

"A China não tem o mesmo nível de renda dos Estados Unidos e Europa Ocidental e não dá acesso livre a outros países. Então ela não conseguiria substituir o Ocidente como grande pólo consumidor do mundo."
O risco maior para a China seria de uma grande recessão americana e européia, que geraria um alto desemprego no setor exportador chinês.

''Recolamento''
Para o estrategista internacional de mercado de ações da agência de classificação de risco Standard & Poor's, Alec Young, a economia chinesa vai se desaquecer neste ano, mas não com muita intensidade.

"A grande questão é saber se isso é só o começo de um processo ou se vai durar nos próximos anos", afirma.

Tanto Young como Yueh são contra a tese de que as economias emergentes estão "descoladas" dos países ricos - cenário no qual a atual crise nos Estados Unidos e Europa não afetaria o crescimento de Brasil e China.

"Muito pelo contrário. O que está acontecendo, na minha opinião, é um 'recolamento' das economias emergentes aos países ricos. Os emergentes estão sentindo cada vez mais os efeitos da turbulência global", diz Young.

Analistas da Merrill Lynch também não acreditam que a economia da China terá um desaquecimento brusco.

Para eles, o efeito da Olimpíada de Pequim pode ajudar a manter o crescimento do país no patamar dos 9% e 10% neste ano.

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