China diz ser vítima da mudança climática e pede mais esforços dos EUA

Pequim, 10 mar (EFE).- A China afirmou ser hoje, assim como outras nações em desenvolvimento, uma das principais vítimas da mudança climática e exigiu que os Estados Unidos e outros países ricos ofereçam tecnologia e financiamento para atenuar as consequências deste fenômeno.

EFE |

"Acho que é justo dizer que a Administração (do presidente dos Estados Unidos, Barack) Obama é mais positiva no enfrentamento da mudança climática do que a anterior", declarou hoje Xie Zhenhua, subdiretor da Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento da China, ao falar de redução de emissões.

"Os EUA são o país mais desenvolvido do mundo, tanto econômica como tecnologicamente. Deveria fazer mais para oferecer apoio financeiro e tecnológico aos outros países. Seus compromissos são baixos em relação às exigências da ONU e dos países pobres", acrescentou Xie.

"Os países em desenvolvimento são vítimas deste fenômeno. A China é um país em desenvolvimento", assegurou Xie.

Segundo dados do Executivo chinês, no último século, a temperatura no território do país aumentou 1,1°C, um aumento que está produzindo "instabilidade da produção agrícola, maiores inundações no sul, seca no norte, perda de florestas e pradarias e mais tufões no sul".

Xie assegurou que a mudança climática terá graves consequências para a segurança alimentar e econômica de seu país.

Na segunda-feira, China e Índia declararam seu apoio ao acordo assinado em dezembro durante a cúpula da ONU sobre a mudança climática, em Copenhague, que, embora sem vinculação legal, fixa objetivos para a cúpula de Cancún (México), marcada para o final deste ano.

A China foi considerada como uma das culpadas pelo fracasso da reunião de Copenhague por sua obsessão em conseguir uma transferência de alta tecnologia, algo que nenhum país desenvolvido está disposto a oferecer.

Os objetivos do acordo respaldado pela China e a Índia são limitar o aumento da temperatura global em dois graus centígrados e criar um fundo de US$ 100 bilhões por parte dos países ricos antes de 2020 para que os países mais vulneráveis enfrentem a mudança climática.

Neste sentido, Xie disse em entrevista coletiva que o acordo de Copenhague fixará a agenda da cúpula de Cancún, para a qual pediu uma atitude positiva.

Outro dos empecilhos para a adesão da China ao controvertido acordo de Copenhague foi recordado hoje: Pequim se opõe a que qualquer país comprove sua redução de emissões poluentes, alegando que o tema é uma questão de "soberania" e um "exame invasivo".

Embora apenas 30 dos 192 países da ONU tenham apoiado o acordo de Copenhague em dezembro, atualmente mais de 100 já deram seu respaldo, entre eles o Brasil.

A China fixou como objetivo reduzir sua "intensidade de carbono" por unidade de Produto Interno Bruto (PIB) entre 40% e 45% antes de 2020 e tomando como referência as emissões de 2005. EFE mz/bba

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