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China diz que vai cooperar em área de direitos humanos

O presidente da China, Hu Jintao, afirmou em carta divulgada nesta sexta-feira que o país irá cooperar com a comunidade internacional na área de direitos humanos. A declaração, porém, vem poucos dias após a polícia chinesa prender manifestantes e um dissidente que organizou um abaixo-assinado protestando contra a situação dos direitos humanos no país.

BBC Brasil |

Na carta endereçada à Sociedade Chinesa de Estudos dos Direitos Humanos, Hu prometeu que a China fortalecerá a cooperação internacional na área de direitos humanos para "fazer sua contribuição na construção de um mundo harmonioso de paz duradoura e prosperidade comum".

Na quarta-feira a polícia de Pequim prendeu cerca de 40 manifestantes que protestavam por democracia e liberdade de expressão em frente ao prédio do Ministério das Relações Exteriores.

Poucos dias antes o escritor dissidente Liu Xiaobo foi detido por organizar uma carta-manifesto assinada por mais de 300 intelectuais criticando a situação dos direitos humanos no país.

O documento foi divulgado no dia 10 para marcar o aniversário de 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Discussão delimitada
O governo chinês responde a críticas de organizações internacionais dizendo que garantir melhores condições de vida aos cidadãos, dando moradia, trabalho e alimentação, é respeitar os direitos humanos.

Enquanto organizações pedem por mais democracia e liberdade de expressão no país, o governo argumenta que respeita os direitos humanos dos cidadãos ao se esforçar para promover prosperidade, saneamento básico e serviços públicos.

Segundo Hu Jintao os direitos humanos na China priorizam "o direito de existência e desenvolvimento no esforço de modernização socialista".

O partido comunista alega que retirou mais de 240 milhões de pessoas da pobreza absoluta desde que adotou reformas econômicas há 30 anos.

"A China criou um novo caminho mais apropriado para seu desenvolvimento na área de direitos humanos que prioriza o povo, estabilidade e desenvolvimento" afirmou à imprensa estatal Wang Cheng ministro do Conselho de Estado de Informação.

Liberdades fundamentais
"Ninguém nega que as reformas ajudaram a garantir direitos humanos básicos à população", reconhece Su-Su Liu, pesquisadora da ONG Anistia Internacional em Hong Kong.

No entanto, segundo Liu, a criação de prosperidade não pode ocorrer "às custas de outras liberdades fundamentais".

"O degrau entre ricos e pobres está aumentando. Existe muita desigualdade e injustiça, mas as pessoas não tem uma imprensa livre nem canais para ventilar suas críticas", disse Liu à BBC Brasil.

A organização produz relatórios periódicos monitorando a situação dos direitos humanos da China e vem denunciando sistematicamente os abusos do governo como a prisão de dissidentes em campos de trabalho forçado, opressão de manifestantes pró-independência tibetana e a detenção ilegal de pessoas que criticam políticas do partido comunista.

Segundo números da Fundação Diu Hua endossados pela Anistia, entre 60 e 100 manifestantes que participaram dos protestos da Praça da Paz Celestial em 1989 ainda estão presos na China.

Estima-se que milhares de dissidentes estejam presos atualmente no país.

De acordo com a organização Repórteres Sem Fronteiras somente este ano cerca de 180 jornalistas foram detidos ou pressionados pelo governo chinês.

"Nos últimos 30 anos houve melhoras, mas ainda há muito por ser feito", concluiu Liu.

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