A China teve um papel importante e construtivo na Cúpula do Clima de Copenhague, assegurou nesta segunda-feira o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, em resposta às acusações de que seu país teria sido um dos grandes responsáveis pelos poucos resultados da COP15.

"A China teve um papel importante e construtivo para fazer avançar as negociações de Copenhague e chegar aos atuais resultados", declarou Wen, em uma entrevista à agência de notícias Nova China.

"A China se expressou com grande sinceridade e mobilizou todos seus esforços", acrescentou, segundo os trechos da entrevista publicada no site do ministério chinês das Relações Exteriores.

O Acordo de Copenhague estabeleceu "objetivos a longo prazo para a comunidade mundial em termos de mudança climática", disse ainda.

"Este é o resultado dos esforços de todas as partes e tem uma ampla aprovação. Não foi um acordo fácil e preciso valorizá-lo", concluiu.

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, acusou nesta segunda-feira um grupo de países de ter "tomado de refém" as negociações sobre o clima na conferência de Copenhague, em uma mensagem divulgada por seu gabinete.

Brown advertiu em seu podcast, que deve ser liberado durante o dia, que é preciso aprender as lições de Copenhague e das duras negociações que aconteceram na capital da Dinamarca.

"Nunca mais deveríamos enfrentar o ponto morto que ameaçou levar ao fracasso estas negociações", declarou o premier britânico.

"Nunca mais deveríamos deixar que apenas um pequeno grupo de países tomem como refém um acordo global para um futuro mais verde", completou, sem mencionar especificamente os países.

No domingo, o ministro britânico do Meio Ambiente, Ed Miliband, acusou diretamente a China de bloquear todas as tentativas de tornar vinculante um acordo sobre a redução das emissões de CO2.

Mas o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, afirmou nesta segunda-feira que seu país teve um papel "importante e construtivo" nas negociações.

Brown admitiu na mensagem que as negociações "não foram fáceis" e que no fim temeu que "o processo fracasasse e não tivéssemos nenhum acordo".

Mas completou: "Finalmente conseguimos superar o ponto morto e, em um avanço nunca visto antes nesta escala, assegurar um acordo da comunidade internacional".

"Mas isto não pode ser o final. De fato, isto é apenas o início e devemos ir ainda mais longe".

O acordo concluído na conferência que terminou sábado em Copenhague é um texto de mínimos que permite, pela primeira vez, envolver todos os grandes países poluidores - tanto desenvolvidos como emergentes - na luta contra o aquecimento global, mas sem fixar metas ambiciosas nem um marco vinculante.

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