China diz que jamais buscará hegemonia militar

Em relatório anual de defesa divulgado nesta terça-feira, a China afirma que jamais terá a ambição de conquistar hegemonia militar, embora venha consistentemente investindo mais em segurança. A China nunca buscará hegemonia ou se engajará em expansão militar agora ou no futuro, independente de quão desenvolvida ela possa se tornar afirma o documento que resume os resultados de 2008 e aponta os caminhos para a estratégia de defesa do país em 2009.

BBC Brasil |

O relatório divulgado anualmente em janeiro também afirma que Pequim buscará renovar sua capacidade militar, embora peça que a comunidade internacional faça o possível pelo desarmamento atômico já que a China fará a sua parte também.

"A China não será a primeira a utilizar armas atômicas a qualquer momento e sob qualquer circunstância e não irá, incondicionalmente, utilizar ou ameaçar utilizar armas nucleares contra estados sem armas nucleares e zonas livres de armas nucleares", promete o documento.

Ameaça
O crescente investimento do país asiático em seu exército tem despertado o interesse de estrategistas no ocidente, que estimam que os gastos com segurança do país sejam superiores ao que é abertamente divulgado.

No documento do ano passado, por exemplo, constava para 2008 um aumento cerca de 17% no orçamento das forças armadas.

Na prática, entretanto, os investimentos de 2008 totalizaram 417,769 bilhões de yuans (US$ 61 bilhões), um incremento de cerca de 30% em relação aos US$46,7% investidos em 2007.

O relatório desta terça-feira não quantifica o valor para 2009, mas define apenas o investimento como de "nível razoável".

Além disso, a China possui a maior força militar do mundo em número de tropas.

Somente as forças milicianas - cidadãos não carreiristas militares que estão à disposição para ajudar em casos de catástrofes humanitárias ou confrontos - somam dez milhões de homens.

Uma das diretrizes presente no relatório visa diminuir esse contingente para oito milhões até 2010.

Apesar de ter o maior exército do mundo em número de tropas, os chineses argumentam que não são uma ameaça porque não possuem tecnologias e fartos recursos como as forças armadas dos Estados Unidos.

Gastos
Um capítulo inteiro do documento argumenta que os gastos chineses não são grandes se comparados com outros países em proporção ao Produto Interno Bruto.

Segundo os números compilados no relatório, em 2007, a China investiu 1,8% do seu PIB em defesa, enquanto que os EUA gastaram 4,5%, a Rússia 2,5%, o Reino Unido 2,7% e a França 1,9% dos seus respectivos produtos internos brutos
Igualmente, em números absolutos, os Estados Unidos fizeram investimentos bélicos num total de US$ 623 bilhões em 2007, contra US$ 46,7 bilhões feitos pela China no mesmo período.

Estados Unidos
A China reconhece a co-dependência estratégica do relacionamento com os Estados Unidos.

"Esperamos que neste novo período ambos, China e Estados Unidos, façam esforços conjuntos para criar condições favoráveis (à cooperação)", afirmou à imprensa nesta terça o coronel Hu Changmin, se referindo à retomada do diálogo militar entre Pequim e Washington.

O principal ponto de discórdia na relação militar entre os dois países é o apoio americano a Taiwan.

Em outubro passado a China chegou a suspender os laços diplomáticos militares com o exército americano como forma de mostrar sua desaprovação à moção dos Estados Unidos para vender US$6,4 bilhões em armamento para Taiwan.

Taiwan é uma ilha na costa leste da China para onde fugiram em 1949 as forças nacionalistas do general Chiang Kai-shek, derrotadas por Mao Tsé-Tung.Na prática, Taiwan é uma economia independente e democrática, mas o partido comunista não reconhece isso e considera a ilha uma "província rebelde".

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