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China diz que EUA precisam perder mentalidade de Guerra Fria

O governo chinês criticou nesta quinta-feira o relatório do Pentágono que afirma que o poderio militar da China estaria afetando o equilíbrio militar na Ásia. Um porta-voz do Ministério do Exterior chinês disse que se trata de uma grande distorção dos fatos e pediu o fim da mentalidade da Guerra Fria.

BBC Brasil |

Em seu relatório anual para o Congresso americano, o Pentágono afirmou que a China está desenvolvendo tecnologia nuclear, espacial e cibernética que pode levar a "divisões" na região.

De acordo com o Pentágono, essas tecnologias poderiam ser usadas em disputas territoriais na Ásia.

O governo chinês também voltou a ser criticado pela falta de transparência na divulgação de seus gastos militares e política de segurança.

"O relatório divulgado pelos Estados Unidos continua a destacar a falácia da ameaça militar chinesa", disse à imprensa o porta-voz chinês Qin Gang.

Segundo ele, o governo chinês já se queixou ao governo americano e pediu a Washington que "cesse a mentalidade de Guerra Fria... para evitar novos danos à relação entre os dois países e os dois Exércitos".

A tensão entre China e EUA aumentou no início do mês, depois de um confronto entre navios da marinha chinesa e americana na zona econômica exclusiva de Hainan, quando a China acusou os Estados Unidos de espionagem.

Segundo o relatório do Pentágono, a China vem conseguindo aumentar seu arsenal de armas sofisticadas, mas a capacidade chinesa de sustentar seu poder militar à distância permanece limitado.

Algumas dessas novas armas poderiam ajudar a China a participar de missões de paz internacionais, humanitárias e antipirataria, admite o relatório, mas elas também podem permitir à China "projetar poder e garantir acesso a recursos que reforçariam suas reivindicações sobre territórios disputados".

Segundo o Pentágono, a China estaria desenvolvendo armas que poderiam desativar satélites espaciais de países inimigos, por exemplo, além de estar aumentando sua capacidade de armas eletromagnéticas e cibernéticas e continuar a modernizar sua capacidade nuclear.

O relatório também aponta o aumento de mísseis de curta-distância sendo colocados do outro lado de Taiwan, apesar de ter diminuído a tensão com a China nos últimos meses.

Apesar de elogiar o crescimento de uma China próspera, estável e pacífica, o relatório afirma que "há muita incerteza em torno do futuro caminho da China, particularmente sobre como esta expansão militar pode ser usada".

O relatório ainda estima que os gastos militares da China em 2008 foram praticamente o dobro de dez anos atrás.

O governo chinês insiste que esses gastos são exclusivamente para fins de defesa e são pequenos se comparados aos americanos.

A China já havia reclamado de relatórios anteriores do Pentágono que colocam o país como ameaça militar, apesar de o governo chinês estar comprometido com "um crescimento pacífico".

Segundo o especialista em Defesa e Segurança da BBC Rob Watson, as forças armadas chinesas estão deixando de ser um Exército pobre, de camponeses, para se tornar uma força militar moderna e cada vez mais sofisticada, mas permanecem dúvidas sobre seu nível de treinamento e coordenação, bem como sobre sua capacidade de guerra.


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