Por Chris Buckley PEQUIM, 12 de janeiro (Reuters) - A China testou com sucesso uma nova tecnologia destinada a abater mísseis em pleno voo, disse o governo, enquanto a imprensa estatal alertou que a relação Pequim-Washington pode ser afetada pela venda de mísseis dos EUA a Taiwan.

A China considera Taiwan como uma província rebelde e promete recuperar a ilha, mesmo que usando a força. Pequim vê a venda de armas dos EUA a Taiwan como uma intrusão numa disputa doméstica.

Num rápido despacho sem detalhes, a agência estatal de notícias Xinhua afirmou que uma "tecnologia baseada em terra de interceptação de mísseis em médio curso" foi testada em solo chinês. "O teste alcançou o objetivo esperado", disse a nota, sem dizer qual era o objetivo ou qual foi o alvo atingido.

Uma fonte da chancelaria disse à agência que "o teste é defensivo na sua natureza e não tem qualquer país como alvo".

Em entrevista coletiva, Jiang Yu, porta-voz da chancelaria, afirmou que o teste não deixou fragmentos no espaço nem criou riscos para naves e satélites.

Na semana passada, os EUA autorizaram a venda de mísseis Patriot a Taiwan, o que a China criticou.

A disputa não dá sinais de que irá virar um confronto militar ou uma crise diplomática. Mas a crescente assertividade de Pequim a respeito desse assunto pode amplificar tensões com Washington, enquanto ambos os lados enfrentam tensões econômicas e os EUA buscam apoio chinês para novas sanções ao Irã e para outras iniciativas diplomáticas.

"A China sente que os Estados Unidos, por um lado, querem todo tipo de cooperação, mas, por outro lado, continua vendendo armas a Taiwan, e esta discrepância está se expandindo", disse Zhu Feng, professor de relações internacionais da Universidade de Pequim.

"Não haverá qualquer reversão substancial nas relações por causa disso", acrescentou. "Mas a autoconfiança da China está crescendo, e parece que essas vendas de armas a Taiwan são humilhantes."

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