China deve ofuscar EUA em cúpula da Apec

O presidente da China, Hu Jintao, desembarca nesta quarta-feira em Lima, no Peru, para participar - e provavelmente ser uma das estrelas - da cúpula dos países membros do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, a (Apec, na sigla em inglês). A presença do líder chinês deve ofuscar o tradicional protagonismo do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, no evento deste fim-de-semana.

BBC Brasil |

De saída da Casa Branca e deixando o país à beira da recessão, Bush tem poucas razões para ser o centro das atenções. Já Jintao representa um país que vem se consolidando como um dos principais mercados mundiais nesses tempos de crise e como um dos maiores parceiros comerciais da América Latina - representada no encontro da Apec por três países: Peru, Chile e México.

Jintao se encontra no meio de um giro pela América Latina, o que sinaliza a importância que a China está dando à região - que foi praticamente abandonada pelos Estados Unidos durante o governo Bush.

Em entrevista à BBC Brasil, o especialista em diplomacia chinesa Octavio Fernández diz que "dentro da lógica dialética chinesa, crise não é só risco, também é oportunidade".

"Historicamente, a América Latina dependeu muito dos Estados Unidos. Mas a crise financeira fez com que o poder que o país tem sobre a América Latina diminua, enquanto o da China cresce. Neste contexto de relativa debilidade americana, a China vê a oportunidade de continuar estreitando laços com países da região", afirma.

Mas Fernández afirma que o país não vai resgatar nenhuma economia da América Latina. "A China não tem capacidade para isso", afirma.

Nos últimos quatro anos, o volume de comércio sino-latino-americano e sino-caribenho manteve um crescimento anual de 40%. Em 2007, bateu o recorde histórico de US$ 100 bilhões.

Estimativas dão conta de que, na próxima década, os investimentos chineses na região podem crescer até 20% ao ano.

'Flexível'
Em uma entrevista dada esta semana para o jornal El Comercio do Peru, Hu Jintao, que está realizando um giro pela América, diz que "as relações entre a China e a América Latina e o Caribe nunca foram tão estreitas como agora".

"A região conta com um vasto território, rico em recursos naturais e um enorme potencial de desenvolvimento", diz Jintao, que chega nesta quarta-feira ao Peru, acompanhado por uma comitiva de 500 pessoas, entre funcionários públicos e empresários.

Para o diretor do Instituto Peruano de Economia, Fritz Dubois, a China é importante neste momento porque, mesmo com a crise, vai crescer 8,5%. "O país vai assegurar o crescimento mundial", afirma. Para o economista, a Índia e o Peru são outros dois países que devem continuar com um bom ritmo de crescimento.

"Em 2007, um terço do crescimento mundial se deve à China. O Peru deve se concentrar no gigante. É muito conveniente ter um acordo com eles", aconselha o ex-ministro da Economia peruano, Pedro Pablo Kuczynski, tendo em vista que para o ano que vem, o cenário não é dos mais otimistas para os Estados Unidos e Europa.

Tratados
A Apec reúne 21 economias - entre elas, Estados Unidos, China, Japão, Canadá e Coréia do Sul - e é responsável por quase 60% do PIB mundial.

Para Kuczynski, a reunião da Apec é a grande oportunidade que têm Peru, Chile e México - os únicos países latino-americanos que participam -, para concretizar relações comerciais com as principais nações asiáticas.

O empresário Gonzalo Garland concorda: "A melhor região para exportar em meio à crise financeira é a Ásia-Pacífico, porque, apesar de tudo, continua com a tendência do crescimento econômico".

O Chile e a Austrália já assinaram um Tratado de Livre Comercio (TLC) com a China. Depois de dez meses de negociações, o Peru deve assinar o TLC com o país asiático durante a reunião da Apec.

O impacto será de um aumento de US$ 1 bilhão no PIB peruano. Durante o primeiro ano de vigência do acordo de livre comércio com a China, o Chile também viu o mesmo aumento em seu PIB.

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