China deve anunciar plano para controlar emissões de carbono

A China deve anunciar novos planos para controlar suas emissões de carbono - vistas como a principal causa do efeito estufa - em uma cúpula especial da ONU sobre mudanças climáticas, em Nova York, nesta terça-feira.

BBC Brasil |

Cerca de cem líderes mundiais vão participar do encontro e tentar revitalizar as negociações sobre emissões de carbono.

As atenções estarão voltadas para a China e os Estados Unidos , os dois maiores emissores do mundo, cuja posição é vista como crucial para que se alcance um acordo.

O encontro ocorre dois meses antes da cúpula da ONU em Copenhague, cujo objetivo é aprovar um novo tratado global sobre mudanças climáticas que substitua o atual Protocolo de Kyoto para limitar as emissões de carbono.

China

Segundo a correspondente da BBC na ONU, Barbara Plett, as discussões continuam emperradas porque os países ricos evitam se comprometer a cortar emissões em proporção grande o suficiente para acabar com os riscos colocados pelo aquecimento, enquanto os países pobres se recusam a aceitar limites de emissões, alegando que isso prejudicaria seu desenvolvimento econômico.

O papel da China é crucial porque o país não é apenas uma economia emergente, mas também um grande poluidor.

O principal negociador de mudanças climáticas na ONU, Yvo de Boer, disse esperar um importante anúncio da China durante a reunião.

"A política doméstica da China já é bastante ambiciosa, mas sim, eu espero algo dramático", disse ele.

A expectativa é de que o presidente Hu Jintao anuncie "metas de intensidade de carbono" com o objetivo de tornar a indústria chinesa mais eficiente, para que seja emitido menos carbono por unidade de energia gerada.

A China já ultrapassou os Estados Unidos como o maior mercado de energia eólica - gerada a partir de vento - e é uma potência crescente em energia solar. Analistas afirmam que o presidente Hu pode avançar ainda mais as metas de energias renováveis no país.

Mas segundo o correspondente da BBC em Pequim, Quentin Sommerville, dificilmente o governo chinês vai concordar em limitar suas emissões.

Apesar de todos os avanços na tecnologia verde, 70% da energia chinesa ainda é proveniente do carvão, e o crescimento econômico também significa um crescimento nas emissões de gases poluentes.

Pressão sobre os EUA

No encontro, as atenções também estarão voltadas para outro grande poluente, os Estados Unidos.

Ao contrário do governo de seu predecessor, George W. Bush, o atual presidente dos EUA, Barack Obama, já reconheceu que as mudanças climáticas são uma questão premente.

Ele anunciou a meta de retornar ao nível de emissões de 1990 até 2020, mas críticos afirmam que Washington está se movendo muito lentamente na aprovação de leis. No momento, Obama tem dedicado mais atenção a questões domésticas, como as reformas econômicas e do sistema de saúde.

Seu discurso no encontro da ONU será observado por analistas que buscam sinais de que ele está disposto a cumprir sua promessa de assumir a liderança para que seja fechado um acordo global sobre emissões de carbono.

Uma demonstração de vontade política da China e dos Estados Unidos seria um importante avanço nas negociações, afirmam analistas.

A China e os Estados Unidos são responsáveis, cada um, por cerca de 20% da emissão de gases poluentes no mundo, provenientes do carvão, gás natural e petróleo.

A União Europeia é responsável por 14% das emissões, seguida pela Rússia e Índia, com 5% cada.

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