Urumqi (China) - A cidade de Urumqi, no noroeste da China e palco de três dias de confrontos entre chineses da etnia majoritária han e uigures muçulmanos, declarou hoje toque de recolher, em uma tentativa de frear a escalada de violência na região.

O secretário do Partido Comunista da China (PCCh) na região de Xinjiang, Wang Lequan, informou em discurso televisionado sobre a medida, que proibirá os cidadãos de sair às ruas das 21h às 8h, para, como disse, "evitar um aumento do caos".

Armados

A tensão continua aumentando nas ruas de Urumqi, onde vários grupos de chineses da etnia han, armados com pedaços de paus e outros objetos, marcham por várias partes da cidade pedindo vingança e ameaçando linchar os uigures muçulmanos, como pôde observar a Agência Efe.

Nas imediações do Hotel Hoitak, onde estão os jornalistas que cobrem o conflito étnico, cerca de 1.500 chineses han com pás e barras de ferro se concentraram para cantar o hino nacional chinês e marchas revolucionárias, com o objetivo, segundo testemunhas, de "linchar uigures".

Reuters

Chinês observa fila de soldados em rua da província chinesa de Xinjiang

Várias testemunhas asseguram que os uigures estão atacando bancos e comércios em diversos bairros da cidade, e que por isso nas entidades do centro de Urumqi é possível ver os funcionários na entrada, também armados com paus, dispostos a defender seu negócio.

A situação na cidade é cada vez mais tensa, impera a lei marcial e chineses han e uigures protagonizam vários enfrentamentos.

Alguns habitantes da cidade dizem terem visto mortos e feridos, incluindo mulheres e crianças também hoje, dois dias depois dos protestos que acabaram com 156 mortos e mais de mil de feridos.

A Polícia não está intervindo nas concentrações de grupos han e permite que realizem marchas e protestos, onde os uigures são acusados de serem "selvagens e cruéis".

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