China dá início ao Congresso Nacional do Povo

Reunião é a última antes de Congresso do Partido Comunista que vai definir cúpula dirigente para os próximos dez anos

iG São Paulo |

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, deu início nesta segunda-feira ao Congresso Nacional do Povo, a reunião política mais importante do ano no país, que termina em 14 de março. Este será o último Congresso Nacional do Povo antes de uma grande renovação na liderança do país, prevista para começar em outubro, durante o Congresso do Partido Comunista.

A expectativa é que o vice-presidente Xi Jinping assuma a liderança da legenda, hoje a cargo do presidente Hu Jintao. O Congresso do Partido Comunista vai definir a cúpula dirigente chinesa para os próximos dez anos.

Durante a plenária desta segunda-feira, Wen afirmou que o governo prevê para 2012 um crescimento menor que o do ano passado e disse querer reduzir as tensões sociais e acelerar a modernização do Exército , um dia após o país anunciar um aumento de mais de 11% no orçamento da Defesa .

Leia também: China eleva gasto militar em mais de 11%

AP
O premiê chinês, Wen Jiabao (dir), é cumprimentado pelo presidente do país, Hu Jintao, após discurso na Assembleia Nacional Popular em Pequim

Em discurso de mais de duas horas para cerca de três mil delegados, o premiê afirmou que a modernização das Forças Armadas é crucial para enfrentar eventuais “guerras locais”. "Melhoraremos a capacidade do Exército para cumprir várias tarefas militares, principalmente a de vencer guerras locais ", disse o primeiro-ministro.

As disputas territoriais de Pequim com países como Japão, Coreia do Sul, Filipinas e Vietnã se intensificaram nos últimos anos. O crescente gasto de Defesa chinês inquieta os Estados Unidos, que tentam expandir sua influência militar na Ásia.

Wen defendeu a necessidade de manter a paz social no campo, palco de numerosas revoltas contra expropriações abusivas. "Os direitos dos camponeses à terra na qual trabalham por contrato, na qual estão construídas suas casa, são direitos de propriedade conferidos pela lei e ninguém pode violar estes direitos", disse o presidente em seu discurso pronunciado no Palácio do Povo, junto à praça da Paz Celestial (Tiananmen) de Pequim.

As afirmações foram feitas um dia após a incomum eleição democrática de um comitê municipal no povoado rebelde de Wukan (sul do país), onde os habitantes se rebelaram contra os corruptos comandantes comunistas locais que confiscaram suas terras para revendê-las a promotores imobiliários.

"Trabalharemos com diligência para determinar, registrar e certificar a propriedade da terra", acrescentou Wen, prometendo um governo "limpo" e "castigos severos para os corruptos".

O primeiro-ministro também anunciou uma meta de crescimento do PIB da segunda economia mundial de 7,5% em 2012, abaixo dos 9,2% registrados em 2011 e dos 10,4% de 2010, devido à crise da dívida na zona do euro e à lenta recuperação dos Estados Unidos, que pesarão na demanda de produtos chineses.

Os objetivos de crescimento do governo costumam ser, no entanto, superados (a meta de 2011 era de 8%) e os economistas preveem para este ano um aumento de 8% a 8,5% do PIB chinês.

Wen disse que a Chins quer "romper os monopólios" e "incentivar os capitais privados a entrarem nas ferrovias, nas administrações locais, nas finanças, nas telecomunicações, no ensino e no atendimento médico".

Com BBC e AFP

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