Segundo governo, militantes receberam treinamento no Paquistão; onda de ataques deixou ao menos 11 mortos em Xinjiang

A China responsabilizou nesta segunda-feira extremistas islâmicos treinados no Paquistão pelos ataques que deixaram ao menos 11 mortos na turbulenta província de Xinjiang. O governo local anunciou uma repressão a atividades religiosas "ilegais" no início o mês do Ramadã, período de jejum dos muçulmanos.

O atentado na cidade de Kashgar, na tarde de domingo, é a mais recente ação violenta a abalar a região, onde a população uigur se ressente há muito tempo da presença de chineses da etnia han e dos controles políticos e religiosos impostos pelo governo central, em Pequim.

A declaração foi feita menos de 24 horas depois de duas explosões na cidade, controlada por uigures. "A intenção maligna por trás desse terror violento era sabotar a unidade interétnica e prejudicar a estabilidade social, semeando o ódio étnico e criando conflito étnico", afirmou o governo de Kashgar em sua página na internet (www.xjks.gov.cn).

Segundo as autoridades de Kashgar, suspeitos capturados confessaram que os líderes de sua organização haviam estado antes no Paquistão, onde se uniram ao separatista Movimento Islâmico do Turquistão Oriental e receberam treinamento para fabricar armas e explosivos, antes de se infiltrar na China. "Todos os membros desse grupo aderiram a ideias extremistas religiosas e apoiam com determinação a jihad (guerra santa)", diz o comunicado.

A polícia matou a tiros cinco pessoas e prendeu outras quatro depois de invadir um restaurante, colocar fogo no local e matar o proprietário e um garçom. Depois, ao fugir para a rua, mataram outros quatro, segundo a agência estatal de notícias Xinhua.

Segundo o jornal chinês Global Times, todos os suspeitos de desfechar o ataque são uigures.

Desafio

A violência representa um desafio complicado para o governista Partido Comunista no controle de Xinjiang, onde moradores uigures e han desconfiam uns dos outros.

A principal autoridade do PC na província, Zhang Chunxian, anunciou uma ação repressiva contra o extremismo religioso e prometeu dura punição para os culpados dos ataques, segundo o site oficial de notícias da região (www.tianshannet.com).

A cidade de Kashgar fica no sul de Xinjiang e tem cerca de 600 mil habitantes, dos quais cerca de 80% são uigures, de acordo com o governo. A cidade é dividida em áreas uigures e han, e muitos dependem do turismo como fonte de renda.

Para Pequim, a região de Xinjiang é estrategicamente vital, por possuir reservas de petróleo e gás.

*Com Reuters

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