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China critica estilo de vida insustentável de países ricos

O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, afirmou nesta sexta-feira que os países ricos precisam abandonar o que classificou de estilo de vida insustentável, caso o mundo queira combater as mudanças climáticas. O primeiro-ministro fez as declarações em um discurso de abertura de uma conferência sobre a mudança climática organizada pelas Nações Unidas em Pequim.

BBC Brasil |

Wen Jiabao disse que os países desenvolvidos têm a "responsabilidade e obrigação" de mudar o modo como vivem, pois demanda muitos recursos.

Em negociações diplomáticas internacionais, a China tem se aliado a outros emergentes, inclusive o Brasil, na defesa do argumento de que os países ricos devem tomar a dianteira no combate ao aquecimento global porque começaram a poluir na época da revolução industrial, muito antes das nações em desenvolvimento.

Um estudo da Universidade da Califórnia publicado em maio estimou que a China se tornou o maior emissor de gases causadores do efeito estufa no período entre 2006 e 2007. E o próprio governo chinês reconhece que o país é hoje, juntamente com os Estados Unidos, o maior poluidor.

'De acordo com nossos dados, o nível de emissões da China atualmente é quase o mesmo que o dos Estados Unidos', afirmou há uma semana o vice-diretor da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, Xie Zhenhua, à imprensa estatal.

Fundo
Nesta sexta-feira, o líder chinês também aproveitou a ocasião para pedir que os países emergentes também não descuidem do meio ambiente, mesmo diante da atual crise econômica.

Na semana passada, Pequim sugeriu a criação de um fundo verde internacional através da ONU para promover a transferência de tecnologia ecológica aos países em desenvolvimento.

O fundo exigiria que os países ricos doassem um 1% do PIB deles, para ajudar às nações pobres e poluidoras.

Maior poluidor
As emissões anuais de todo o mundo correspondem a 8,5 bilhões de toneladas cúbicas de gases causadores do efeito estufa.

Apesar de não haver números precisos da China em 2008, estima-se que o país seja responsável por quase um quinto disso, ou 20% de toda a poluição.

Os Estados Unidos poluem quase o mesmo que a China, mas têm uma população muito menor.

Por isso, Pequim argumenta que, proporcionalmente, o estilo de vida de 1,3 bilhão de chineses não é tão nocivo ao meio ambiente como o de 300 milhões de americanos.

Por outro lado, cerca de 70% da energia elétrica da China é originada na queima de carvão em usinas termoelétricas, uma matriz energética altamente poluidora.

Além disso, na China, a fiscalização de indústrias poluidoras em geral - como curtumes, químicos, papel, e outros - não é rigorosa como nos paísesdesenvolvidos.

Os chineses, no entanto, ressaltam que têm metas ecológicas e pretendem reduzir o consumo de energia por unidade do Produto Interno Bruto em 20% dos níveis de 2005 até 2010, o que significa manter a produção industrial gastando menos energia.

No mesmo período, o governo espera cortar as emissões de gases poluidores em até 10% para proteger o meio ambiente e garantir o desenvolvimento sustentável.

A conferência da ONU em Pequim vai até sábado e focará em intercâmbio e comércio de tecnologias verdes, bem como na negociação diplomática para futuros acordos relacionados à mudança climática.

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