China congela intercâmbios militares e anuncia sanções a empresas dos EUA

A China suspendeu seus intercâmbios militares e seu diálogo de segurança com Washington neste sábado e anunciou que vai sancionar as empresas que venderam armas a Taiwan, segundo um porta-voz do ministério das Relações Exteriores chinês.

AFP |

Em um comunicado, o ministério também afirma que foram suspensas as discussões de alto nível para protestar contra a venda de armas do Pentágono a Taiwan.

O governo chinês sancionará as empresas americanas vinculada à venda, acrescentou o ministério.

A China protestou energicamente contra a decisão dos Estados Unidos de vender armas a Taiwan no valor de 6,4 bilhões de dólares, alertando que isso pode causar sérios danos em suas relações com Washington.

O Pentágono anunciou na véspera que os Estados Unidos venderão a Taiwan mísseis Patriot, além de navios detectores de minas submarinas e helicópteros Black Hawk.

A remessa inclui equipamento de comunicações para os F-16 de Taiwan, mas não novos aviões de caça, como queria Taiwan, segundo o Pentágono.

O vice-ministro das Relações Exteriores chinês He Yafai ligou para o embaixador americano em Pequim, Jon Huntsman, nas primeiras horas deste sábado, para transmitir sua indignação, informou o porta-voz Wang Baodong falando à AFP.

"A nova iniciativa americana de vender armas para Taiwan, que faz parte da China, significa uma chocante intervenção nos assuntos internos chineses, coloca em perigo a segurança nacional da China e prejudica seus esforços de reunificação pacífica", indicou a China em seu protesto, segundo o porta-voz.

O Departamento de Estado americano, por sua vez, justificou a venda de armas a Taiwan.

"A decisão de vender armas a Taiwan contribui para manter a segurança e a estabilidade entre as maregnes do Estreito de Formosa", declarou à la AFP uma porta-voz da diplomacia americana, Laura Tischler.

O fornecimento de armas a Taiwan por parte dos Estados Unidos é um tema delicado que provoca regularmente a fúria de Pequim. Taipé, por sua vez, critica o fato de que 1.500 mísseis chineses apontem contra Taiwan, e que o fortalecimento do arsenal chinês jamais diminui.

Os Estados Unidos reconheceram a China comunista em 1979 e, com esta ação, deixou de reconhecer Taiwan. Mas uma lei votada pelo Congresso americano no mesmo ano autorizou que Washington vendesse armas de defesa a Taiwan.

"O plano americano definitivamente enfraquecerá as relações China-Estados Unidos e terá um impacto negativo sério sobre o comércio e a cooperação em áreas importantes entre os dois países", acrescentou Baodong.

A China já havia advertido os Estados Unidos sobre a venda de mais armamentos à ilha.

A última vez que Pequim e Washington interromperam suas relações militares foi em outubro de 2008, quando os Estados Unidos, sob governo de George W. Bush, entregou armas à ilha.

Os comunistas chinese, que expulsaram o governo nacionalista de Kuomintang para Taiwan em 1949, consideram a ilha rebelde como parte integrante da China e ameaçaram intervir militarmente se esta declarasse sua independência.

sct/cn

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