China confirma que vai se reunir com enviados do Dalai Lama

Pequim, 4 mai (EFE).- Representantes governamentais chineses se reunirão neste domingo com dois enviados do Dalai Lama que chegaram ao território chinês, confirmaram fontes oficiais citadas pelo jornal China Daily.

EFE |

É a primeira confirmação oficial por parte de Pequim das conversas, que acontecerão em uma cidade não divulgada, entre Zhu Weiqun e Sitar, pela parte chinesa, e Lodi Gyaltsen Gyari e Kelsang Gyatsen pela parte tibetana, disse um funcionário chinês não identificado.

Os dois responsáveis chineses, com experiência anterior neste tipo de conversas, pertencem ao Departamento da Frente de Trabalho Unido do Partido Comunista da China, organismo encarregado do diálogo com os representantes do Dalai Lama.

A China anunciou no dia 25 de abril sua decisão de manter contatos e consultas com os representantes do líder espiritual tibetano, levando em conta "os pedidos feitos repetidamente pelo Dalai Lama para retomar as conversas", anunciou um funcionário através da agência oficial "Xinhua".

"Esperamos que através do contato e das consultas, a parte do Dalai Lama dê passos críveis para deter as atividades destinadas a se separar da China, a incitação da violência e a interrupção e sabotagem dos Jogos Olímpicos de Pequim a fim de criar condições para as conversas", assegurou a fonte.

Esta semana, a porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores, Jiang Yu, disse esperar que o Dalai Lama e seus seguidores "aproveitem a oportunidade".

Além disso, pediu a eles para reconhecer a situação, mudar sua postura e adotar "ações concretas para deter os crimes violentos e as atividades que impliquem em interromper os Jogos Olímpicos de Pequim e se separar da mãe pátria, a fim de criar condições para posteriores conversas".

A visita dos representantes tibetanos não serviu para que as críticas na imprensa estatal contra os "independentistas" tibetanos e o "regime teocrático" liderado pelo Dalai Lama aumentassem.

"O 'Governo tibetano no exílio' é de fato ainda um poder teocrático, uma integração de igreja e 'estado' com o Dalai Lama na cabeça", explicou Bi Hua, investigador do Centro de Pesquisa de Tibetologia da China, citado pela "Xinhua".

Segundo sua opinião, se trata de "outra igreja medieval da Europa sob a fantasia da atual democracia ocidental".

As conversas de hoje, que chegam após a crise suscitada em meados de março passado na região tibetana, são as primeiras desde junho de 2007, quando aconteceu a sexta rodada do diálogo desde que foi retomado em 2002. EFE cg/ma

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