China condena visita anunciada do Dalai Lama a Taiwan

Horas depois de o governo de Taiwan anunciar nesta quinta-feira que aprovou uma visita do Dalai Lama à ilha, o governo da China afirmou que permanece resolutamente contrário à presença do líder budista em seu território. O convite ao Dalai Lama partiu da oposição taiwanesa para que ele possa consolar as vítimas do Morakot, o tufão que matou pelo menos 500 pessoas e deixou 10 mil desabrigados na ilha neste mês.

BBC Brasil |

Um porta-voz do departamento do governo chinês responsável por assuntos relativos a Taiwan, citado pela agência estatal de notícias Xinhua, diz que uma visita do Dalai Lama seria condenada "em qualquer forma".

Além disso, o porta-voz disse que o convite foi "uma tentativa sabotar a melhora nas relações entre os dois governos, conseguida a duras penas".

O governo chinês diz que o líder budista não é "uma figura puramente religiosa". "Ele levanta a bandeira religiosa e continua a atuar em tentativas de dividir o país."
Críticas
O presidente de Taiwan, Ma Ying-jeou, autorizou a visita depois de ter sido metralhado por críticas pela atuação lenta e ineficiente do governo nos dias que se seguiram ao tufão - o pior a atingir a ilha em 50 anos.

A China normalmente expressa desagrado aos países que recebem o Dalai Lama, considerado um perigoso separatista pelo governo chinês.

A viagem é particularmente polêmica, já que Pequim considera Taiwan e o Tibete parte de seu território.

Durante o governo anterior de Taiwan, o Dalai Lama visitou a ilha várias vezes - a visita mais recente, em 2001.

Mas o presidente Ma, que subiu ao poder em 2008, está muito mais próximo da China do que seu predecessor, Chen Shui-bian.

No ano passado, ele se recusou a dar permissão para uma visita do líder espiritual, dizendo que o momento não era adequado, já que seu governo estava trabalhando para melhorar relações com Pequim.

Queda de popularidade
Mas o tufão e suas consequências deixaram Ma em uma situação difícil.

A popularidade dele caiu para apenas 20%, um recorde negativo em Taiwan, por causa da forma como ele lidou com o desastre.

Segundo a correspondente da BBC Cindy Su, em Taipei, o presidente teve de concordar com a visita do Dalai Lama porque não podia correr o risco de ferir ainda mais sua imagem e a de seu partido.

Portanto, após uma reunião de cinco horas com autoridades ligadas à segurança, decidiu aceitar o pedido da oposição.

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