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China condena leilão da Christie s em Paris

A China condenou nesta quinta-feira o que chamou de venda ilegal de duas raríssimas estatuetas de bronze chinesas do século 18 em Paris. As peças - uma cabeça de coelho e uma cabeça de rato - pertenciam à coleção particular do estilista francês Yves Saint Laurent e de seu companheiro, o empresário Pierre Bergé, e foram leiloadas ontem, na capital francesa, por 15,7 milhões de euros (cerca de R$ 47 milhões) cada uma.

BBC Brasil |

O governo chinês vinha pedindo a restituição das peças, que foram saqueadas do Palácio de Verão, em Pequim, em 1860, por soldados britânicos e franceses.

Em um comunicado divulgado nesta quinta-feira, o órgão do governo chinês responsável pela administração de obras e monumentos históricos disse que se "opõe, com firmeza, à venda de qualquer objeto cultural retirado ilegalmente do país" e garantiu que o leilão terá sérias consequências para o desenvolvimento da Christie's - a casa de leilões que realizou a venda - na China.

O órgão diz ainda que tentou, sem sucesso, convencer a casa de leilões a suspender a venda e garantiu que vai continuar fazendo de tudo para obter as peças de volta.

A Christie's afirma que as esculturas foram compradas legalmente por Yves Saint Laurent e Pierre Bergé e manteve o leilão.

Já o governo francês afirmou que até o momento não foi oficialmente comunicado de nenhum procedimento oficial para a restituição das peças por parte do governo chinês.

Na França, a Associação para a Proteção da Arte Chinesa na Europa (APACE) chegou a entrar com uma ação em um tribunal de Paris pedindo a suspensão da venda, mas a Justiça francesa autorizou o leilão na última segunda-feira.

Antes do leilão, Pierre Bergé chegou a declarar que devolveria as peças ao governo chinês, caso Pequim "passasse a respeitar os direitos humanos e a liberdade no Tibete " e recebesse o Dalai Lama, que vive exilado na Índia.

O incidente promete acirrar ainda mais as já tensas relações diplomáticas entre França e China. As relações andam estremecidas desde a passagem da tocha olímpica por Paris, marcada por manifestações pró-Tibete.

As críticas do governo chinês se tornaram ainda mais virulentas após o encontro do presidente francês, Nicolas Sarkozy, com o Dalai Lama, em dezembro do ano passado, durante uma cerimônia com personalidades que receberam o prêmio Nobel da Paz, na Polônia.

Na época, Pequim chegou a convocar o embaixador francês e a cancelar, como protesto, sua participação em uma cúpula com a União Européia, marcada para a França.

A China invadiu o Tibete em 1950, e afirma que a região é parte integral de seu território.

A polêmica sobre obras e peças provenientes de outros países que fazem hoje parte do acervo de museus europeus não é nova.

Em novembro do ano passado, o governo francês restituiu a seu proprietário um quadro do pintor Henri Matisse que havia sido roubado por oficiais nazistas durante a segunda Guerra Mundial.

No total, o leilão da coleção particular de Yves Saint Laurent, falecido em junho do ano passado, e Pierre Bergé, arrecadou 373,5 milhões de euros (cerca de R$ 1,13 bilhão), um recorde mundial.

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