China condena encontro entre primeiro-ministro do Reino Unido e dalai lama

Pequim, 24 mai (EFE).- O Governo chinês condenou hoje o encontro em Londres entre o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, e o dalai lama, líder espiritual tibetano no exílio, depois de mais de dois meses das revoltas no Tibete.

EFE |

O Ministério de Assuntos Exteriores chinês destacou que o encontro "interfere nos assuntos internos da China e fere os sentimentos do povo chinês", declarou o porta-voz da pasta, Qin Gang, em comunicado.

Brown recebeu o dalai lama ontem no Palácio de Lambeth, sede da Arquidiocese de Canterbury na capital britânica, o que também gerou críticas no Reino Unido pela recepção ao líder tibetano em um templo religioso, e não em um prédio público do Governo, o que reforçaria a oposição de Londres à repressão chinesa no Tibete.

Os analistas afirmam que Brown escolheu o lugar com a intenção de melhorar a relação econômica com Pequim e não despertar sua ira, já que o apoio à possível independência do Tibete é um tema delicado nas relações com a China, principalmente desde as revoltas de março.

O encontro com o dalai lama foi classificado pelo premiê britânico como "caloroso e construtivo".

Nem a escolha do local nem o fato de o dalai lama ter enviado suas condolências às vítimas do terremoto de Sichuan e expressado sua disposição de ir aos Jogos Olímpicos de Pequim, em agosto, conseguiram aplacar a ira do Governo chinês com o encontro.

O porta-voz chinês destacou hoje "o profundo descontentamento" de seu Governo pela reunião entre Brown e o dalai lama.

Qin evitou se pronunciar esta semana sobre se o líder espiritual tibetano será convidado ou não para os Jogos Olímpicos.

O dalai lama, que vive exilado na Índia desde 1959, realiza uma visita de 11 dias ao Reino Unido, onde, além de se reunir com políticos britânicos, fez várias conferências.

Em março, o Tibete viveu as revoltas mais graves contra o domínio chinês em duas décadas, o que provocou uma forte intervenção de Pequim, que ainda mantém a região isolada de observadores internacionais.

Por esse motivo, ninguém pôde confirmar se o violento levante tibetano deixou 20 mortos, como afirma Pequim, ou se 200 pessoas morreram pela repressão militar chinesa, de acordo com o dalai lama.

EFE mz/wr/sc

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