China condena diretor australiano da Rio Tinto a 10 anos de prisão

Quatro funcionários da gigante da mineração Rio Tinto, entre eles um executivo australiano, foram sentenciados de 7 a 14 anos por corrupção e espionagem industrial nesta segunda-feira em Xangai.

AFP |

Entre os condenados está o executivo australiano Stern Hu, que administrava o escritório da Rio Tinto em Xangai. Ele foi sentenciado a 10 anos. Os colaboradores chineses Wang Yong, Ge Minqiang e Liu Caikui foram condenados respectivamente a 14, 8 e 7 anos de prisão.

"De todos os pontos de vista é uma decisão muito dura. É um julgamento muito severo, de acordo com os critérios do sistema judicial australiano", declarou o ministro das Relações Exteriores de Canberra, Stephen Smith.

Para Smith, o julgamento deixou "perguntas sérias sem resposta" no que diz respeito às acusações de espionagem industrial. Mas o governo australiano afirmou, no entanto, que o veredicto não prejudicará as relações com a China.

Os quatro acusados foram detidos em julho, no momento em que as negociações entre os produtores de aço chineses e os gigantes da mineração sobre o preço do ferro para o ano seguinte estavam bloqueadas.

Hu colaborou com a polícia e a Justiça e se declarou culpado de corrupção, ao admitir ter recebido mais de US$ 900 mil em subornos.

Segundo os advogados, os outros acusados também se declararam culpados de corrupção, mas não admitiram algumas acusações, em especial o valor dos subornos recebidos.

Apenas um dos réus admitiu o roubo de segredos comerciais durante as audiências a portas fechadas dedicadas a essas acusações específicas. Essa parte do processo não teve a presença de um representante consular australiano.

"A decisão de excluir o cônsul australiano viola a própria lei em vigor na China, que desde 1995 obriga os tribunais a aceitar a presença de uma representação consular, mesmo nos julgamentos fechados ao público", afirmou em um artigo o especialista em leis chinesas Jerome Cohen, professor da Universidade de Nova York. O texto também foi assinado por Yu-Jie Chen, do US Asia Law Institute.

Segundo o tribunal chinês, entre os segredos comerciais figuravam os memorandos das reuniões da CISA, a Associação Chinesa do Ferro e do Aço, e informações sobre uma redução da produção da empresa metalúrgica Shougang.

A divulgação dos segredos teria custado mais de um bilhão de iuanes a Shougang (US$ 147 milhões de dólares), segundo a justiça chinesa.

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