Um proeminente ativista, que denunciou abusos aos direitos humanos na China, foi condenado nesta quinta-feira a três anos e meio de prisão por cometer crime de subversão. Hu Jia, de 34 anos, foi considerado culpado de incitar subversão do poder do Estado e do sistema socialista, disse o advogado do ativista.

Hu é conhecido por participar de campanhas de proteção ao meio ambiente, liberdade religiosa e defesa dos direitos portadores do vírus HIV.

A condenação de Hu Jia ocorre poucos dias depois da organização não governamental Anistia Internacional acusar o governo da China de aumentar o controle sobre a liberdade de expressão, para abafar críticas às vésperas dos Jogos Olímpicos.

Atenção
O caso de Hu Jia atraiu grande atenção da imprensa internacional, de organizações não governamentais e diplomatas estrangeiros.

Antes de ser preso em dezembro do ano passado, Hu Jia era conhecido por criticar fortemente a posição do governo da China sobre assuntos sensíveis, como o desrespeito aos direitos humanos no país.

Entre membros da imprensa internacional e oficiais dos corpos diplomáticos baseados em Pequim, Hu Jia era considerado uma fonte segura de informações reveladoras sobre abusos praticados na China.

A agência de notícias estatal Xinhua disse que Hu Jia "espalhou rumores maliciosos, difamação e instigou uma tentativa de subverter o sistema político e socialista", de acordo com o texto do veredicto.

Entre as provas apresentadas no julgamento, havia cópias de entrevistas que Hu Jia concedeu a veículos de comunicação estrangeiros e artigos escritos por ele que foram divulgados na internet, informou o advogado de defesa Li Fangping.

Segundo a Xinhua, Hu Jia teve uma condenação leve, pois o ativista admitiu ter culpa, o que resultou em uma posição leniente da corte.

O advogado de defesa Li Fangping informou que Hu Jia pode recorrer da decisão, mas ainda não sabe se o ativista tem interesse em continuar a batalha judicial.

Consternados
Os Estados Unidos declararam estar "consternados" com o veredicto, segundo declaração da porta-voz da embaixada dos Estados Unidos em Pequim, Susan Stevenson.

Igualmente contrária à condenação de Hu Jia, a representação da União Européia em Pequim pediu que a China liberte o ativista imediatamente.

O julgamento de Hu Jia ocorre apenas duas semanas após outro ativista, Yang Chunlin, ter sofrido condenação semelhante.

Onda de Repressão
Segundo a Anistia Internacional, Pequim está conduzindo uma "onda de repressão" às vésperas dos Jogos Olímpicos.

A organização acusa as autoridades chinesas de estarem atacando aqueles que criticam o governo numa tentativa de apresentar uma imagem de estabilidade e harmonia frente aos Jogos Olímpicos.

Em resposta, a Sociedade Chinesa para Estudos dos Direitos Humanos, uma organização local com laços estatais, rebateu acusando a Anistia Internacional de ser tendenciosa e ignorar as melhoras já conquistadas na área dos direitos humanos.

O primeiro-ministro Wen Jiabao disse em março que o caso de Hu Jia seria julgado de acordo com a lei.

"Do ponto de vista dos críticos, a China está tentando aumentar os esforços para prender dissidentes antes dos Jogos Olímpicos, eu penso que essas acusações são infundadas", afirmou Jiabao.

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